Embora continue a dominar os trilhos com a mesma superioridade de sempre, Mathieu van der Poel começou a abrir a porta a uma despedida histórica.
Após as recentes vitórias na Taça do Mundo, o campeão do mundo da Alpecin-Deceuninck confessou que a ideia de abandonar o ciclocrosse para se focar exclusivamente na estrada é um cenário que está em cima da mesa.
“É algo em que penso, sim”, afirmou o neerlandês em entrevista ao jornal HLN. Aos 30 anos (fará 31 em janeiro), Van der Poel não esconde que a motivação passa agora por deixar um legado inalcançável e preservar a sua energia para outros desafios.
O oitavo arco-íris como “chave” da despedida
O grande objetivo de Van der Poel é conquistar o seu oitavo título mundial no dia 1 de fevereiro de 2026, em Hulst, nos Países Baixos. Se o conseguir, isolar-se-á como o recordista absoluto de títulos mundiais, ultrapassando a lenda belga Eric De Vlaeminck.
“Sempre disse que seria muito bonito parar no meu país com o recorde. Para além disso, não me restaria muito mais para alcançar no ciclocrosse. Gostava de me retirar num ponto alto da carreira; se ficasse em quinto daqui a uns anos, ficaria com um sabor amargo”, explicou o ciclista.
Foco total na estrada e descanso em Espanha
Mais do que uma questão de falta de talento, a decisão prende-se com a gestão física. O ciclocrosse exige uma intensidade brutal durante os meses de inverno, o que retira tempo de recuperação para as grandes clássicas e para o Tour de France.
Van der Poel admite que um inverno sem “lama” permitiria uma preparação superior para a estrada: “Poderia ficar todo o inverno em Espanha a treinar com sol. Amo o ciclocrosse, mas consome muitíssima energia. Talvez, sem ele, até pudesse ser ainda melhor na estrada”, lançou, num tom que soa a despedida.
Um contrato longo, mas com lama a menos
Apesar de ter um contrato de mais cinco anos como corredor (e outros cinco como embaixador) com a sua marca de bicicletas, esse compromisso foca-se essencialmente na vertente de estrada. Se Hulst for mesmo a última paragem, o “Eterno Campeão” sairá como chegou: coberto de barro, mas com o nome gravado no topo da história.







