Tadej Pogacar parece imbatível na estrada, mas um alerta de peso chegou esta terça-feira vindo de quem cresceu na casa do maior ciclista de todos os tempos.
Axel Merckx, filho do lendário Eddy Merckx, deixou um aviso sério ao fenómeno esloveno: o maior inimigo não se mede em watts, mas sim na resistência mental à pressão constante.
Numa conversa com o também ex-ciclista Johan Museeuw para o jornal La Dernière Heure, Axel abordou o risco invisível que paira sobre o corredor da UAE Team Emirates: a fatiga mental.
A lição do “Canibal”: Quando a cabeça cede
Para Axel Merckx, o desgaste de viver sob os holofotes pode ser mais letal do que qualquer subida de categoria especial. O antigo ciclista usou o exemplo do próprio pai para ilustrar como o domínio absoluto cobra um preço alto.
“Onde quer que vá, há sempre uma espécie de atenção constante sobre ele. E isso é o que se torna tão esgotante”, explicou Axel.
“Quando o meu pai fala do final da carreira, era principalmente a fadiga mental, muito mais do que a física, o que mais o incomodava. Chega a um ponto em que o cérebro diz às pernas para pararem.”
O fantasma de Peter Sagan
Johan Museeuw alinhou pelo mesmo discurso, traçando um paralelismo preocupante com outra estrela que brilhou intensamente antes de um declínio prematuro: Peter Sagan.
Para o “Leão da Flandres”, o estilo de vida e a exposição mediática constante podem ser uma armadilha. “Tenho curiosidade para ver como ele vai gerir isto… Há uns anos, creio que foi o mesmo estilo de vida que contribuiu para o declínio de Peter Sagan. Mesmo no topo, precisas de descansar um pouco”, alertou Museeuw.
Apesar de evitarem comparações diretas sobre quem é o “melhor da história”, ambos concordam num ponto: Pogacar domina como dominava Eddy Merckx e cruza a meta com uma frescura invejável. O desafio agora é evitar que o brilho intenso dos holofotes acabe por queimar a vontade de vencer.








