O futebol feminino está cada vez mais em voga, mas ainda há muito “preconceito”, e as palavas dos antigo treinador do Auxerre não ajudam nada à causa.
Guy Roux, figura lendária que comandou o Auxerre durante mais de quatro décadas, está no centro de uma tempestade mediática em França.
Numa entrevista recente ao jornal L’Est Éclair, o técnico de 87 anos proferiu declarações sobre o futebol feminino que estão a ser classificadas como sexistas e ultrapassadas por diversos quadrantes da modalidade.
Apesar de ter começado por dizer que nutre “muito respeito pelas jovens que praticam o seu desporto favorito”, Guy Roux rapidamente passou para comparações físicas e biológicas que incendiaram as redes sociais.
Biologia e maternidade no centro da polémica
Para justificar a sua visão sobre a menor espetacularidade do futebol feminino, Guy Roux utilizou argumentos baseados na anatomia feminina, ligando-os à maternidade de uma forma que muitos consideraram ofensiva.
“Uma mulher foi feita para trazer filhos ao mundo, com uma bacia mais larga. E o futebol não foi feito para bacias largas”, afirmou o técnico.
Roux reforçou a sua tese comparando a estrutura física dos atletas: “Os homens e as mulheres não são feitos da mesma maneira, nem com os mesmos tecidos. As melhores jogadoras de futebol têm uma constituição semelhante à dos rapazes.”
Comparações com o Atletismo e escalões de formação
O antigo treinador de Lens e Auxerre recorreu ainda ao exemplo do atletismo para ilustrar a diferença de performance, mencionando uma conversa que teve com uma campeã europeia de 100 metros: “Ela confessou que, apesar de todos os treinos, o Bolt lhe ganharia sempre por 12 ou 14 metros. É a realidade biológica.”
Guy Roux foi mais longe ao desvalorizar o nível competitivo das equipas seniores femininas em França, utilizando resultados de jogos-treino contra adolescentes:
- Derrotas contra sub-14: Roux revelou que a equipa de sub-14 masculina do Auxerre venceu a equipa sénior feminina do clube.
- Projeção para a 2.ª Divisão: “Como as raparigas evoluem agora na segunda divisão, provavelmente seriam hoje os sub-15 a vencê-las”, atirou.
Reações e críticas em França
As palavras do “eterno” treinador do Auxerre não passaram despercebidas. Em França, várias figuras ligadas ao desporto e associações de defesa da igualdade já vieram a público lamentar que um ícone do futebol francês mantenha uma visão tão redutora da modalidade num momento em que o futebol feminino regista recordes de audiência e investimento.
Embora Roux remeta para a baixa assistência de alguns jogos da D1 (campeonato francês) para validar a sua opinião, os críticos lembram que o desporto feminino tem crescido exponencialmente, desafiando precisamente os preconceitos biológicos apontados pelo técnico.









