Especialista em arbitragem diz que Luís Godinho avaliou mal os dois lances capitais da partida
O encontro entre Sporting e Estoril ficou assinalado por várias situações de arbitragem que mereceram análise minuciosa, sobretudo no que respeita a foras de jogo posicionais e possíveis grandes penalidades.
12′ — O golo que gerou discussão
O primeiro golo leonino foi alvo de verificação por possível fora de jogo. No instante do remate de Luís Suárez, Pedro Gonçalves encontrava-se em posição irregular, colocado em frente ao guarda-redes Joel Robles e a escassos três metros deste. A Lei 11 (fora de jogo) refere que só se pune o jogador se este obstruir claramente a visão ou influir na ação do adversário. A interpretação do termo “claramente” abre margem a subjetividade, mas, pela proximidade e posicionamento de Gonçalves, pode defender-se que interferiu com o guarda-redes. Na ótica de muitos, incluindo a minha, o lance deveria ter resultado em anulação do golo. Recorde-se que, no dérbi entre Sporting e Benfica, validei como correta a decisão do VAR em anular um golo a Di María por influência posicional de Tengstedt, situação semelhante pela interferência junto do guardião contrário.
26′ — Choque fortuito
Patrick de Paula, em disputa com Trincão, toca primeiro na bola. No desenrolar da jogada, ao apoiar o pé no relvado, pisa inadvertidamente o braço do avançado sportinguista. Um lance acidental, sem intenção, bem decidido pelo árbitro ao não aplicar qualquer punição disciplinar.
45′ — Tempo de compensação
Foram atribuídos três minutos de compensação, resultado da paragem para análise do golo e da assistência a Ricardo Sánchez, que acabou substituído. Decisão acertada na gestão do tempo.
45+2′ — Possível penálti por assinalar
Na área leonina, Hjulmand agarra primeiro a camisola de Félix Bacher e depois empurra-o, projetando-o contra Maxi Araújo. No mesmo lance, o uruguaio salta para disputar a bola e movimenta o braço direito para trás, atingindo o adversário no rosto com a mão fechada. O movimento não foi natural e intensificou o impacto. Em tempo real, o árbitro optou por nada assinalar, mas as repetições revelam que existiu motivo para grande penalidade. Um lance só detetável com auxílio do VAR.
48′ — Amarelo para Patrick de Paula
Entrada negligente sobre Luís Suárez, com pisão no pé do avançado. Advertência bem exibida.
62′ — Cartão a Alejandro Marqués
O avançado impediu a execução de um livre, colocando a perna para cortar a bola quando estava demasiado próximo. Amarelo bem mostrado por não respeitar a distância regulamentar.
64′ — Hjulmand travou Guitane
O médio dinamarquês agarrou ostensivamente o adversário pelas costas, ação que justificou a advertência disciplinar.
85′ — Catamo advertido
Num carrinho, o extremo sportinguista derrubou Fabrício Garcia, originando cartão amarelo justo.
86′ — Amarelo a Begraoui
O árbitro entendeu que a entrada sobre Ivan Fresneda foi lateral e negligente. Decisão correta.
89′ — Cartão para Pedro Carvalho
O jogador do Estoril agarrou de forma persistente Alisson Santos, travando um contra-ataque perigoso. Advertência bem aplicada por falta tática.
90′ — Tempo extra insuficiente
Foram dados quatro minutos de compensação, considerados curtos face às várias interrupções: seis cartões amarelos e quatro paragens para substituições, num total de sete entradas em campo.





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