Atual diretor desportivo do Flamengo recordou uma das grandes oportunidades que os encarnados não conseguiram concretizar no mercado
José Boto abriu o livro sobre alguns dos negócios mais marcantes da sua carreira enquanto observador e responsável pela prospeção, numa entrevista à rádio britânica talkSPORT. Entre vários nomes de peso, houve um que se destacou de forma especial: Eden Hazard, antigo internacional belga que o Benfica tentou contratar ainda numa fase muito precoce da carreira.
O atual diretor desportivo do Flamengo revelou que os encarnados acompanharam de perto a evolução do então jovem talento do Lille e chegaram mesmo a tentar garantir a sua contratação. A concorrência, porém, acabou por tornar a operação demasiado difícil. “Quando estávamos no Benfica, mantivemos um olhar muito próximo sobre Eden Hazard. Tentámos, mas não conseguimos. Depois, ele descolou verdadeiramente, quando tinha 17 anos de idade. Nós tentámos contratá-lo, mas vários clubes surgiram a desejá-lo, e era difícil (…). Pode muito bem ser o melhor jogador que nunca contratámos”, admitiu.
Hazard acabaria por rumar ao Chelsea em 2012, com apenas 19 anos, numa transferência avaliada em cerca de 35 milhões de euros. Em Londres, o belga confirmou todo o potencial que já havia demonstrado no Lille e tornou-se numa das grandes figuras do futebol europeu. O desempenho em Stamford Bridge acabaria por convencer o Real Madrid a avançar para a sua contratação, em 2019, por uma verba próxima dos 120 milhões de euros.
A passagem pelo clube espanhol, no entanto, ficou muito aquém das expectativas. Entre problemas físicos e uma quebra de rendimento, o avançado teve uma utilização bastante limitada ao longo de quatro temporadas. No total, participou em 76 jogos oficiais pelo Real Madrid, nos quais marcou sete golos e fez dez assistências.
Aos 32 anos, em 2023, Eden Hazard surpreendeu ao anunciar o fim da carreira. Desde então, tem direcionado a sua atividade para projetos fora do futebol, incluindo negócios ligados à produção de vinho, área na qual se associou ao projeto ‘Vinho do Campeões’ juntamente com outros antigos atletas.
Na mesma conversa, José Boto recordou ainda alguns dos negócios que considera mais bem-sucedidos ao longo do seu percurso. O português destacou que o trabalho de prospeção é sempre coletivo e lembrou operações que acabaram por gerar importantes mais-valias para os clubes por onde passou.
“Não foi apenas Victor Lindelof, mas também, por exemplo, [Nemanja] Matic, que contratámos ao Chelsea como parte do acordo por David Luiz, e que, mais tarde, vendemos de volta ao Chelsea, por 25 milhões de euros, depois de o termos contratado por cinco milhões de euros. Depois, houve [Lazar] Markovic, por exemplo, de quem podem não se lembrar, mas que teve um ano espetacular no Benfica”, explicou.
Markovic permaneceu apenas uma temporada no Benfica antes de ser transferido para o Liverpool por 25 milhões de euros, depois de ter sido contratado por seis milhões. José Boto acrescentou ainda Axel Witsel à lista de operações de relevo, recordando a contratação do médio ao Standard Liège e a posterior transferência para o Zenit por 40 milhões de euros, valor correspondente à cláusula de rescisão do jogador.
O antigo responsável pela prospeção do Benfica falou também de outros talentos identificados durante a passagem pelo Shakhtar Donetsk, entre eles Manor Solomon, Mykhaylo Mudryk e Georgiy Sudakov. “No Shakhtar [Donetsk] também, com vários bons jogadores, como [Manor] Solomon, que está na Fiorentina, e outros, como [Mykhaylo] Mudryk, que também estava em ascensão, naquela altura, e [Georgiy] Sudakov, que está no Benfica, ainda que, este caso, o surgimento da guerra tenha significado que talvez os jogadores não tivessem rendido aquele valor, dado tudo aquilo que sabemos sobre a situação”, concluiu.









