Yves Bissouma decidiu quebrar o silêncio. Suspenso pela segunda vez num ano pelo Tottenham devido ao uso de óxido nitroso (conhecido como ‘droga do riso’), o internacional maliano concedeu uma entrevista crua e emotiva ao tabloide The Sun, onde explica o seu comportamento errático com graves problemas de saúde mental decorrentes de um assalto violento de que foi alvo.
O jogador de 29 anos, atualmente afastado das opções do treinador Thomas Frank, pediu desculpa aos adeptos e à família, revelando que vive num estado de paranoia constante que o levou, inclusivamente, a dormir no centro de treinos do clube por medo de estar em casa.
“Algo partiu-se em mim”
Bissouma não procura desculpas, mas sim explicar a espiral descendente em que entrou após ter sido roubado em cerca de 1,1 milhões de euros (joias e bens materiais).
“Peço desculpa. Este incidente [o assalto] partiu algo em mim que eu nem sabia que se podia partir. O trauma instalou-se na minha vida,” confessou o médio. “Sou um homem africano mental e fisicamente forte. Já enfrentei batalhas e tempestades, mas estes incidentes… o que perdi não foi apenas material. Foi o que o trauma acrescentou à minha vida – o medo, o pânico, a depressão, a paranoia, noites sem dormir.”
Dormir no Centro de Treinos e Terapia Intensiva
A revelação mais chocante da entrevista prende-se com o nível de insegurança que o jogador sente. Bissouma admitiu que, em várias ocasiões, o medo impediu-o de regressar à sua própria residência.
“Às vezes, tinha medo de dormir em casa e, por isso, dormia no centro de treinos. Durante uns três, quatro, às vezes cinco dias, dormia lá porque não queria estar em casa,” revelou.
O jogador confirmou estar a receber acompanhamento psicológico intensivo (“falei com um terapeuta cinco vezes por semana”) e descreveu o seu estado: “É depressão, sim. Tentava mostrar amor, mas o meu interior estava a arder.”
O Pânico da Família
A reincidência no uso da substância ilícita (já tinha sido suspenso em agosto do ano passado pelo mesmo motivo) teve um impacto devastador na sua família.
“Quando a fotografia saiu (…) afetou-me a mim e a toda a gente, especialmente à minha família. Quando o meu pai viu, entrou em pânico porque não se sentiu bem. Tentei fazê-lo compreender que é uma imagem dura, mas não é quem eu sou,” explicou Bissouma.
Focado agora na recuperação e em reconquistar a confiança de Thomas Frank e dos adeptos dos Spurs, Bissouma garante que o foco está em proteger a família e voltar a desfrutar do futebol: “Agora quero é seguir em frente após os meus erros.”








