Tadej Pogačar está de volta. Não como uma mera promessa de pré-temporada, mas sim transformado: mais pausado, mais lúcido e, consequentemente, mais letal.
O campeão mundial e europeu parece ter encontrado uma reconciliação consigo mesmo, regressando dos seus retiros como um Pogačar introspectivo e dolorosamente consciente do significado da sua própria existência desportiva.
As suas férias não serviram apenas como uma pausa, mas como o gérmen de uma transformação. Após uma campanha épica, o esloveno drenou o tanque emocional e físico, culminando a sua travessia em Gran Canaria, que se transformou no seu novo quartel de inverno.
A ilha Canária funcionou como o combustível essencial para o seu reset emocional. Pogačar completou 30 horas de treino em 7 dias, enfrentando asfalto infinito e subidas implacáveis, como o Pico de las Nieves (que roça os 20% de inclinação), que coroou duas vezes em cinco horas de treino.
“Gran Canaria é um paraíso para treinar,” admitiu o esloveno, que se alojou com a sua parceira, Urska, e um punhado de grandes ciclistas, como Philipsen e Uijtdebroeks. Foi neste cenário idílico que Pogačar lançou a reflexão que agitou o ciclismo: inverter o calendário do Giro e da Vuelta:
“Sempre sustento que se trocassem o Giro e a Vuelta seria infinitamente melhor pelo clima e para participar,” afirmou o piloto, sugerindo ainda que Gran Canaria poderia sediar “duas ou três etapas de La Vuelta sem problema”.
Mais além das dessas propostas, emerge um Pogačar renovado, com a mente recalibrada e as pernas a exigir novas conquistas. Os seus objetivos para 2026 estão codificados e não são modestos:
Milano-Sanremo: O Monumento que resiste e que parece desenhado para o seu temperamento.
Paris-Roubaix: Onde o seu legado exige a inscrição do seu nome no pavé.
Quinto Tour de France: A pedra fundacional da sua grandeza, que o igualaria aos maiores de sempre.
Mundial e Europeu: O Mundial (terceiro consecutivo) e a “peça final” do Europeu (que se corre em casa), para completar o retrato do corredor absoluto.
“Cada ano busco a motivação,” diz Pogačar, com uma serenidade quase perturbadora. O seu foco não é apenas em troféus, mas sim em transcender.
Da ilha, o ciclista esloveno seguirá para Denia (Alicante), onde começa a concentração da UAE Team Emirates, o laboratório onde, a cada época, nasce a arquitetura de um campeão que se anuncia mais maduro e mais perigoso do que nunca.