A batalha de Montmartre entre Wout van Aert e Tadej Pogacar já entrou diretamente para os livros de história do ciclismo.
Seis meses após o triunfo épico na última etapa do Tour de França 2025, o ciclista belga da Visma-Lease a Bike quebrou o silêncio no podcast Inside the Beehive para explicar como planeou e executou o ataque que deixou o camisola amarela sem resposta em pleno coração de Paris.
O que parecia ser um passeio triunfal para Pogacar rumo ao seu quarto título no Tour, transformou-se num exame de sobrevivência quando Montmartre surgiu no percurso. Van Aert não hesitou, atacou o esloveno e selou a sua décima vitória de etapa na Grande Boucle.
A “arma secreta”: Pneus largos e baixa pressão
Para bater um coloso como Pogacar, Van Aert revelou que a estratégia começou muito antes da subida final. A escolha do material foi o fator decisivo para dominar o pavé parisiense.
“A etapa era curta, por isso decidi usar pneus largos com pressão muito baixa para poupar energia. Essa escolha marcou a diferença”, desvendou o belga.
Esta decisão técnica permitiu-lhe “voar” sobre os paralelos molhados de Montmartre com uma confiança superior à dos rivais. “Estava escorregadio, mas sentia que tinha tudo sob controlo. Assumi riscos nos últimos quilómetros porque confiava nas minhas pernas”, acrescentou.
Um ataque solitário para a eternidade
Na última passagem pelo setor icónico, Van Aert desferiu o golpe fatal. O ataque foi tão potente que o belga nem se apercebeu de imediato do fosso que tinha cavado para o camisola amarela.
“Estive tão concentrado no meu esforço até à última reta que só aí me dei conta do quão longe ia o Pogacar”, recordou. Além da glória individual, este triunfo serviu também para garantir a vitória da Visma na classificação por equipas.
Olhos postos na Vuelta 2026
A revelação técnica de Van Aert ganha agora uma nova relevância, uma vez que se espera que a Vuelta a España 2026 apresente um final de etapa com características semelhantes, onde a gestão da pressão dos pneus e a perícia no pavé voltarão a ser determinantes.
Seis meses depois, as imagens de Van Aert imperial em Paris continuam a ser o “material de museu” de uma das edições mais eletrizantes da história do Tour de França.








