O Campeonato Mundial de Resistência (WEC) pode estar prestes a viver uma transformação histórica.
Com a “Era de Ouro” dos protótipos a enfrentar o revés inesperado da saída da Porsche, a indústria automóvel chinesa surge como o novo motor de crescimento para o Automobile Club de l’Ouest (ACO), com as gigantes Chery e Lynk & Co (Geely) a prepararem a entrada na categoria Hypercar.
Chery: Um plano de cinco anos rumo à vitória
A Chery, quarto maior fabricante da China, apresentou durante a abertura da Asian Le Mans Series em Sepang um roteiro ambicioso até 2030. Através da sua marca premium EXEED, o grupo estatal pretende tornar-se o primeiro fabricante chinês a lutar pela vitória à geral nas 24 Horas de Le Mans.
O projeto estrutura-se em três fases fundamentais:
- Criação de uma série doméstica de resistência na China para desenvolver talento e tecnologia.
- Competição na Asian Le Mans Series como banco de ensaios.
- Formação da equipa de fábrica EXEED para atacar o WEC e Le Mans.
Um detalhe crucial é o acordo assinado com o ACO a 13 de dezembro, que inclui a construção de um circuito certificado por Le Mans em Wuhu, onde se localiza a sede do grupo. A Chery pretende usar o desporto para provar a fiabilidade dos modelos que lançará em breve no mercado europeu.
Lynk & Co: Do domínio nos turismos para a resistência
Enquanto a Chery detalha o seu plano, a Lynk & Co (ponta de lança desportiva do Grupo Geely, dono da Volvo e Polestar) executa um realinhamento estratégico. Após anos de sucesso no TCR World Tour, onde a Cyan Racing conquistou múltiplos títulos, a marca anunciou a saída das competições de sprint para se focar em Ralis e Resistência.
Embora ainda não esteja confirmado se o foco será na classe GT3 ou nos Hypercars, os rumores de um protótipo da Geely para Le Mans circulam há anos. Um sinal claro desta transição é o facto de Yann Ehrlacher, multimilionário campeão de TCR, estar já a competir em LMP2 na Ásia para ganhar experiência em protótipos.
Uma mudança na geografia do WEC
A entrada destes fabricantes representaria uma mudança geopolítica no desporto automóvel. Atualmente, quase todos os grandes grupos tradicionais estão no Hypercar, mas a China, que já domina o mercado de veículos comerciais a uma velocidade recorde, parece agora decidida a conquistar o prestígio das pistas. Pode ver aqui a lista dos inscritos para o WEC 2026.
Para o WEC, a chegada de marcas como a Chery e a Lynk & Co não só compensa as desistências de fabricantes ocidentais, como abre as portas de um mercado asiático onde a popularidade do automobilismo tem disparado, impulsionada pelo sucesso do GP de Xangai na Fórmula 1.







