A temporada de 2026 marcará o fim de uma era e o consolidar de outra no ciclismo português. Com a retirada de Rui Costa — o homem que trouxe o arco-íris para Portugal — após 17 anos de carreira, e com o futuro de Rúben Guerreiro ainda por definir, o contingente luso no escalão máximo (WorldTour) reduz-se de nove para sete ciclistas.
Apesar da redução numérica, a qualidade mantém-se no topo, encabeçada por um João Almeida em estado de graça e por uma nova geração que já não pede licença para brilhar.
O “Chefe de Fila”: João Almeida (UAE Team Emirates)
Aos 27 anos, João Almeida, um dos ciclistas mais bem pagos do mundo, é indiscutivelmente a referência. O “Bota Lume” vem de uma temporada de 2025 de sonho, onde somou 10 vitórias (incluindo as gerais do País Basco, Romandia e Suíça) e terminou no 5.º lugar do ranking mundial UCI.
Depois de vencer no mítico L’Angliru na Vuelta, Almeida parte para 2026 com o estatuto reforçado dentro da super-equipa da UAE, apontando novamente baterias à Volta a França e à Volta a Espanha.
A Juventude Irreverente: Morgado e Eulálio
Se Almeida é o presente, António Morgado (UAE Team Emirates) e Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) garantem o futuro.
- António Morgado: O “Bigode Voador” venceu a Figueira Champions Classic e foi Campeão Nacional de Contrarrelógio em 2025. Para o novo ano, o objetivo é encontrar maior regularidade e fazer a estreia em Grandes Voltas aos 22 anos.
- Afonso Eulálio: Foi a grande revelação ao saltar diretamente para o WorldTour. Brilhou no Giro (ganhou a Montagna Pantani) e foi Top-10 no Mundial. Em 2026, espera-se que solte ainda mais a sua faceta ofensiva.
O Clã Oliveira na UAE e o “Capitão” Nélson
Ainda na estrutura da UAE, os “outros” Oliveiras têm missões distintas.
- Ivo Oliveira viveu o seu ano mais vitorioso (4 triunfos, incluindo Campeão Nacional de Fundo) e entra em ano de contrato focado em manter o nível.
- Rui Oliveira, peça fundamental no trabalho de equipa, procura em 2026 a sua primeira vitória como profissional, depois da desqualificação polémica na Eslovénia em 2025.
Já na Movistar, mora o “decano”. Nélson Oliveira vai para a 11.ª época na equipa espanhola. O experiente rolador persegue um recorde histórico: tornar-se no ciclista com mais Grandes Voltas iniciadas e concluídas (está a apenas uma de igualar a marca de 23 do polaco Sylvester Szmyd).
A Representante Feminina
No WorldTour feminino, Maria Martins (Canyon-SRAM) continua a ser a porta-estandarte. Após um 2025 focado na pista e nos Jogos Olímpicos, “Tata” entra na nova época com mais ritmo de estrada, procurando afirmar-se numa das melhores equipas do mundo.
Portugal entra assim em 2026 com sete setas apontadas ao sucesso, numa mistura de experiência consagrada e talento explosivo.







