Paulo Fonseca deu uma entrevista ao jornal francês L’Équipe’, e no dia que marca os 4 anos da invasão da Ucrânia pela Rússia, o treinador português arrasou Gianni Infantino, o presidente da FIFA, pelas declaradas feitas recentemente sobre o futebol russo.
Críticas duras em entrevista ao ‘L’Équipe’
Em entrevista ao jornal francês ‘L’Équipe’, Paulo Fonseca atacou Gianni Infantino – que recentemente falou sobre a polémica do Benfica vs Real Madrid – no dia em que se assinalam quatro anos da invasão à Ucrânia. O treinador não aceita que as equipas russas possam voltar a competir brevemente. O técnico português, que treinou o Shakhtar Donetsk entre 2016 e 2019, viveu o início da guerra em 2022 e teve de fugir do país com a sua esposa, Katerina e o seu filho de 2 anos, na altura.
O treinador – que teve um fim de semana particularmente complicado – questionou a moralidade desta decisão da organização mundial perante o conflito. “Vamos jogar contra a Rússia em Moscovo, enquanto os ucranianos não podem jogar no seu território? O país que está a ser invadido não pode disputar as competições europeias em casa e a Rússia poderia? Para mim, isso seria inaceitável”, afirmou o antigo técnico do FC Porto.
“Infantino está a fazer o mesmo que Donald Trump”
Paulo Fonseca acredita que o desporto deve ter um papel muito mais justo na sociedade atual. “O futebol não pode resolver todos os problemas. Mas pode ajudar a trazer mais justiça ao mundo. No entanto, Infantino está a fazer o mesmo que Donald Trump. Está a olhar para os interesses económicos e a esquecer as pessoas”, considera o treinador.
Paulo Fonseca também criticou a entrega de um prémio da paz ao presidente dos Estados Unidos. “Dar um prémio da paz a Trump? Sabe o que senti quando vi isso? Vergonha. É tão triste… O futebol não merece isso. É uma vergonha”, atira. Por isso, defende que o Mundial deveria ser “noutro lugar, e não nos Estados Unidos”.
O sonho de regressar para ajudar a Ucrânia
Apesar de tudo o que sofreu, a ligação do técnico àquela terra continua muito forte. “É um país fantástico. Adoro as pessoas, adoro o país. Sinto-me um pouco ucraniano”, assume Paulo Fonseca. O treinador não esconde que um dos seus grandes desejos para o futuro passa mesmo por voltar a trabalhar no país da sua mulher.
O antigo comandante do Shakhtar Donetsk quer retribuir tudo o que recebeu durante os anos em que viveu em Kiev. “Gostaria muito de voltar e treinar a seleção nacional, ou regressar ao Shakhtar. Sinto que, de certa forma, tenho de retribuir tudo o que me deram”, acrescentou o treinador, reforçando a sua vontade de ajudar a desenvolver o futebol ucraniano.









