O antigo árbitro Pedro Henriques aponta falha clara do vídeo-árbitro num lance longe da bola e elogia a gestão disciplinar em Choupana, num relatório pormenorizado
Síntese da intervenção de Pedro Henriques
Pedro Henriques avaliou, para o jornal A Bola, ponto a ponto a arbitragem do encontro entre Nacional e Benfica, concluindo que houve uma omissão grave por parte do VAR.
O exemplo mais significativo, sublinhou, ocorreu aos 51 minutos, quando um empurrão de Matheus Dias sobre Barreiro, dentro da área, aconteceu a mais de 25 metros da bola; sendo falta clara, exigia intervenção do vídeo-árbitro.
Henriques realça ainda aspectos positivos, como a gestão disciplinar e a performance dos assistentes nos foras de jogo, mas não hesita em classificar como insuficiente a ausência de revisão de um lance tão distante do árbitro de campo.
Lances chave e apreciação técnica
3′ — Henriques considera que o árbitro geriu bem o arranque, evitando cartões desnecessários de imediato.
5′ — No duelo por bola entre Zé Vítor e Rodrigo Rêgo, não houve falta; o contacto foi potenciado pela antecipação do extremo.
6′ — Mão de Leo Santos junto ao corpo, sem volumetria extra; sem penalti, decisão correcta.
44′ — Golo anulado a Pavlidis por posição irregular, depois de um ressalto de Paulinho; apreciação técnica considerada correcta.
51′ — Empurrão de Matheus Dias sobre Barreiro, dentro da área, longe da jogada; Henriques afirma que o VAR devia ter sido acionado e o penálti assinalado.
55′ — Barrenechea empurra Nourani fora do jogo, ambos receberam amarelo; sanção considerada adequada.
65′ — Cartão a Laabidi por entrada negligente em Otamendi, decisão acertada.
66′ — Sem penalti no contacto de Zé Vítor nas costas de António Silva, lance sem consequências.
71′ — Jesús Ramírez recebeu amarelo por bater com a mão no chão em protesto, punição justificada.
84′ — Cartão a Prestianni por empurrão com jogo interrompido, acto antidesportivo sancionado.
89′ — Assistente confirma posição em jogo de Prestianni, decisão correta.
90′ — Árbitro marca nove minutos de compensação, justificando pelo número de interrupções e cartões; tempo adicional considerado adequado.
Gestão disciplinar e estatísticas de jogo
Henriques destaca o baixo número de faltas (18) e uma gestão disciplinar que, no global, foi sensata.
A utilização dos amarelos em lances antidesportivos e em entradas perigosas foi, na sua opinião, coerente com as leis do jogo.
Como ponto negativo, ressalva que apenas 56 por cento do tempo foi de jogo útil, um indicador de desperdício competitivo.
O ponto determinante, o penálti longe da bola
O episódio do minuto 51 ficou no centro da análise. Henriques explica que, segundo as regras, qualquer infração cometida com a bola em jogo deve ser sancionada, mesmo que distante do esférico.
Ao não haver revisão pelo VAR, o árbitro de campo perdeu uma oportunidade de corrigir uma falta evidente na área, o que poderia ter alterado o rumo do desafio.











