Transferência recorde de Remco para a Red Bull e rendimentos totais do líder da UAE Team Emirates elevam patamar financeiro da modalidade para valores nunca antes vistos
O ciclismo profissional está a quebrar a barreira da “modalidade romântica” para se tornar um negócio de alta roda, com valores que começam a aproximar-se da realidade das grandes ligas de futebol europeias. Segundo os dados mais recentes da UCI, publicados pelo jornal La Gazzetta dello Sport, as estrelas do pelotão, como Tadej Pogacar e Remco Evenepoel, estão a atingir patamares salariais que mudam por completo o paradigma do desporto.
O caso mais impressionante é o de Tadej Pogacar. O esloveno da UAE Team Emirates, considerado por muitos o melhor ciclista do século, aufere um salário base de cerca de 8 milhões de euros. Contudo, quando se somam os contratos de patrocínio pessoal e os bónus por vitórias — num ano em que tem dominado quase todas as frentes —, o seu rendimento anual escala para os 12 milhões de euros.
A “transferência do ano” com valores de futebol
Se os ganhos de Pogacar impressionam, a movimentação de Remco Evenepoel para a Red Bull-Bora-hansgrohe é o exemplo perfeito da inflação no mercado. A transferência do prodígio belga, que antecipou em um ano a saída da Soudal Quick-Step, envolveu uma operação financeira estimada em 20 milhões de euros. Este valor engloba não só a cláusula de rescisão (um conceito raro no ciclismo, mas comum no futebol) como o novo contrato plurianual.
Estes números mostram que as super-equipas, apoiadas por multinacionais ou estados, estão dispostas a investir somas astronómicas para garantir os talentos geracionais, criando um mercado de “Galáticos” sobre duas rodas.
O fosso salarial e a classe média
A radiografia da UCI revela que esta elite vive numa realidade paralela ao resto do pelotão:
- Líderes (Trabalhadores Independentes): A média salarial subirá para os 654 mil euros em 2026. Muitos destes atletas residem em paraísos fiscais como o Mónaco ou Andorra, maximizando os rendimentos líquidos.
- Corredores Assalariados: A média fixa-se nos 384 mil euros. Embora seja um crescimento significativo face aos 300 mil de 2023, a distância para os chefes de fila é abismal.
O desafio da sobrevivência
Este crescimento acelerado, com o orçamento global do WorldTour a atingir os 663 milhões de euros em 2026, deixa um rasto de preocupação. Se por um lado a modalidade nunca foi tão rentável para os seus protagonistas, por outro, as equipas de média dimensão começam a ter dificuldades em acompanhar esta “corrida ao ouro”. Com equipas como a UAE e a Visma | Lease a Bike a operarem com orçamentos de 50 milhões de euros, a competição arrisca-se a ser decidida mais nos escritórios do que nas estradas.








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