Encontro realizado durante a madrugada permitiu chegar a entendimento e abriu caminho para o início da preparação dos juízes
A crise que ameaçava atrasar o arranque da preparação dos árbitros para a temporada 2026/27 ficou ultrapassada durante a madrugada deste sábado, após uma reunião entre Pedro Proença e o grupo de juízes do futebol profissional, em Tomar. O encontro permitiu alcançar um entendimento que levou os árbitros a avançarem com a primeira ação de reciclagem e avaliação prevista para este fim de semana.
No final da reunião, os árbitros divulgaram uma nota onde explicam que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol esteve presente para esclarecer a situação criada pelos áudios tornados públicos nos últimos dias. “O presidente da Federação Portuguesa de Futebol deslocou-se a Tomar para reunir com os árbitros do futebol profissional. Durante o encontro, lamentou o sucedido e apresentou ao grupo as respetivas explicações”, pode ler-se.
Além dos esclarecimentos, ambas as partes assumiram o compromisso de trabalhar em conjunto para melhorar a arbitragem nacional. A mesma nota revela que “ficou igualmente acordado o início de um trabalho conjunto, sério e estruturado, a partir da próxima semana, com o objetivo de melhorar as condições da arbitragem portuguesa”. Com essas garantias, os árbitros consideraram estarem reunidas as condições para arrancar com os trabalhos de preparação da nova época.
O entendimento surgiu menos de 24 horas depois de os árbitros recusarem iniciar a ação de reciclagem e avaliação, exigindo que Pedro Proença se retratasse publicamente das críticas conhecidas através de gravações áudio datadas de 2024. Na sexta-feira à noite, o líder federativo já tinha divulgado um comunicado a reafirmar a sua confiança na arbitragem portuguesa, mas os juízes mantiveram a exigência de um encontro presencial, que acabou por acontecer durante a madrugada.
Os áudios divulgados nas redes sociais remontam ao período em que Pedro Proença liderava a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e preparava a candidatura à presidência da Federação, eleição que venceria em fevereiro de 2025. Nessas conversas, o dirigente critica o nível da arbitragem portuguesa, recorda processos judiciais envolvendo o Benfica e refere-se de forma pouco simpática a José Fontelas Gomes, atual vice-presidente da FPF.
Na quarta-feira, Pedro Proença reagiu ao caso, condenando a divulgação “ilegal e imoral” de conversas “privadas, informais, truncadas, meticulosamente selecionadas, distorcidas, incompletas e descontextualizadas”, realizadas em contexto pré-eleitoral com clubes e outras entidades ligadas ao futebol profissional.
A polémica surge numa altura em que a arbitragem portuguesa continua sob escrutínio. O Ministério Público mantém um inquérito relacionado com alegadas interferências nas nomeações e eventual divulgação de informação confidencial. Nos últimos meses, também a saída de Duarte Gomes da direção técnica nacional de arbitragem e o posterior arquivamento de um processo disciplinar envolvendo Luciano Gonçalves aumentaram a instabilidade no setor, levando vários clubes e a Liga a pedirem esclarecimentos.
Com o impasse ultrapassado, a preparação dos árbitros segue em frente precisamente no dia em que arranca oficialmente a época interna, com a disputa da Supertaça Cândido de Oliveira entre FC Porto e Torreense, em Coimbra, encontro que terá arbitragem de André Narciso.









