A F1 contemporânea, com a sua precisão tecnológica e domínio das equipas de topo, continua a produzir recordes insólitos — alguns divertidos, outros improváveis e alguns até inexplicáveis.
Estes são os 10 recordes mais curiosos da era moderna (2000–2025) – Parte II. Pode ler a Primeira Parte aqui:
1. Mais vitórias consecutivas — Max Verstappen, 10 vitórias seguidas em 2023
Max Verstappen, estabeleceu em 2023, um marco histórico: 10 vitórias consecutivas, do GP de Miami ao GP de Monza. O recorde anterior (de 9 vitórias) pertencia a Sebastian Vettel, desde 2013. A sequência só terminou em Singapura, onde a Red Bull teve o seu único fim de semana desastroso da temporada.
2. Maior número de corridas numa única temporada — 24 Grandes Prémios em 2024
Com a expansão global da F1, o calendário de 2024 bateu um recorde absoluto: 24 corridas e um que se mantém na atual temporada — o maior número na história da modalidade. Um contraste com as habituais 16 ou 17 provas anuais, presentes nas décadas de 80 e 90, marcando o auge da “hiper-temporada” moderna.
3. Mais vitórias numa temporada — Max Verstappen, 19 triunfos em 2023
Ainda em 2023, Verstappen estabeleceu outro recorde improvável: 19 vitórias em 22 corridas, uma taxa de sucesso de 86,4%. Superou o seu próprio recorde anterior (15 vitórias em 2022), elevando a fasquia para um patamar praticamente inalcançável sem domínio técnico absoluto.
Most Podiums In A Season In F1 History 🏆
— Daniel Valente 🏎️ (@F1GuyDan) October 7, 2025
1) Max Verstappen – 21/22 (2023)
Max's record is officially guaranteed to stand alone after 2025 due to Oscar Piastri failing to score a podium in Singapore. pic.twitter.com/oaObOYWhME
4. Maior número de penalizações numa temporada — Esteban Ocon, 2023
Durante o GP do Bahrein de 2023, Esteban Ocon somou as incríveis e inéditas três penalizações distintas (nomeadamente, posicionamento incorreto na grelha, má execução da penalização e excesso de velocidade no pit lane), tudo numa só corrida, num grande prémio que se revelou absolutamente desastroso. Embora não seja um recorde estatístico absoluto, é amplamente citado como a sequência de penalizações mais caricata numa única prova.
5. Piloto mais velho a marcar pontos no século XXI — Fernando Alonso, 42 anos (2024)
Em 2024, Fernando Alonso tornou-se o piloto mais velho a pontuar na era moderna da F1, com 42 anos e 32 dias (no GP da Hungria). Desde Graham Hill, nos anos 70, que ninguém com essa idade marcava pontos num Mundial.
6. Equipa com mais dobradinhas numa época — Red Bull Racing, 2023 (13 dobradinhas)
A Red Bull somou 13 dobradinhas em 2023, com Verstappen e Pérez a dominarem grande parte do campeonato. É o maior número de “1-2” numa só temporada na história da Fórmula 1, superando o recorde anterior da Mercedes (12 em 2015).
Lewis and Max have extended their joint record of most 1-2s in Formula One history to the number 37! They are now five 1-2s ahead of Lewis and Nico.
— 💭 (@4433thinker) July 7, 2024
Congratulations to both! 🐐🐐 pic.twitter.com/Cm2X87cB9z
7. Menor diferença entre o 1.º e o 20.º na qualificação — GP da Áustria, 2023
No Red Bull Ring, em 2023, o intervalo entre o primeiro e o 20.º classificado na Q1 foi de apenas 0,812 segundos — a diferença mais curta entre todos os carros em mais de 70 anos de F1. Uma prova de que o pelotão nunca esteve tão compacto.
8. O piloto com mais voltas rápidas consecutivas — Lewis Hamilton, 7 (2014)
Durante a era híbrida inicial, Lewis Hamilton conseguiu sete voltas rápidas consecutivas, entre os GPs da Malásia e da Grã-Bretanha de 2014. É o recorde absoluto da era moderna — um feito que nem Verstappen nem Schumacher conseguiram igualar.
9. Maior número de Safety Cars numa corrida — GP do Canadá, 2011 (6 entradas)
O GP do Canadá de 2011 foi, no mínimo, caótico: choveu torrencialmente, a prova durou mais de quatro horas e o Safety Car entrou seis vezes em pista — um recorde que permanece imbatível. Coincidência ou não, foi também a corrida mais longa da história da Fórmula 1 (4h 04min), algo que, na F1 atual já não será possível de se repetir, visto que o tempo máximo desde o início da corrida são 3h, o que significa que ao fim deste tempo, a corrida é dada como terminada, nas posições em que todos os pilotos se encontrarem.
For the second consecutive year, the Singapore Grand Prix did not feature a safety car on track
— F1 Grand Slam (@F1GrandSlam) October 5, 2025
2024 & 2025 are the only editions of the race without a Safety Car intervention pic.twitter.com/CBcfyEsnAO
10. A ultrapassagem mais lenta da história — GP do Azerbaijão, 2017
Num episódio caricato, Lance Stroll e Valtteri Bottas disputaram o segundo lugar nos metros finais, com Bottas a ultrapassar o canadiano a menos de 200 km/h, devido à reta curta e à perda de potência no final. A ultrapassagem valeu-lhe o 2.º posto por apenas 0,105 segundos, tendo também ficado registada como uma das mais lentas (mas decisivas) da história.
11. O pódio mais jovem de sempre — GP da Áustria, 2019
Max Verstappen (21 anos), Charles Leclerc (21) e Lando Norris (19) formaram, em 2019, o pódio mais jovem da história da F1, com uma média de idade de apenas 21 anos e 244 dias. A nova geração oficializou ali a mudança de estatuto e o começo de uma nova era.
12. Corrida mais curta da história — GP da Bélgica, 2021 (2 voltas)
A edição de 2021, em Spa-Francorchamps, foi marcada pela chuva incessante, tendo sido dada como terminada após apenas duas voltas atrás do Safety Car. Foi oficialmente classificada, com atribuição total de pontos, mas sem ultrapassagens — o que levou a críticas generalizadas e justificadas, além de alterações nas regras de classificação mínima, que ainda hoje são as que vigoram.
13. Maior número de penalizações na grelha — GP da Bélgica, 2022
Em Spa, 2022, sete pilotos receberam penalizações por troca de componentes de motor, resultando num embaralhamento total da grelha. Foi o maior número de pilotos penalizados numa só corrida (mais de um terço do grid).
14. O piloto com mais corridas sem vitória até 2025 — Nico Hülkenberg (245 GPs)
Mesmo após o pódio em Silverstone 2025, Hülkenberg continua sem vitórias após 245 Grandes Prémios disputados — o número mais elevado para um piloto ainda ativo sem triunfos.
Sure, F1 may have records that “may never be broken.”
— Ron LaSano (@RonLaSano) August 22, 2025
Like Nico Hülkenberg’s 240-race podium drought. That’s a legacy of almosts.
Precision means nothing to mediocrity… I keep telling myself #FormulaFunCast pic.twitter.com/CoIgfXpQ1o
15. A maior diferença entre o primeiro e o segundo — GP da Austrália, 1995 (2 voltas) e 2023 (1min 02s)
Embora o maior domínio absoluto pertença ainda a Damon Hill (duas voltas sobre Coulthard, em 1995), Verstappen obteve, em 2023, uma das maiores margens do século XXI: 1 minuto e 2 segundos sobre Hamilton, no GP da Austrália.
A F1 moderna continua a provar que, mesmo com tecnologia e previsibilidade, há espaço para o insólito. Estes recordes revelam um desporto que apesar de toda a previsibilidade, consegue ainda conviver com “o absurdo” e com números que nem mesmo os algoritmos mais avançados conseguem antecipar.











