A separação entre Max Verstappen e o engenheiro que o acompanhou em quatro títulos mundiais, Gianpiero Lambiase, marca uma das maiores mudanças internas da Red Bull em anos — não deixando de levantar dúvidas profundas sobre o que virá em 2026.
A F1 vive de ciclos, mas poucas mudanças internas tiveram o peso da decisão — ainda não oficializada pela Red Bull, mas amplamente confirmada por fontes internas — de Gianpiero Lambiase abandonar o cargo de engenheiro de corrida de Max Verstappen a partir de 2026. Aliás, “apenas” esta mudança explicaria o estado de Lambiase no fim do GP de Abu Dhabi.
A dupla que formou uma das parcerias mais eficientes e temidas da era híbrida chega assim ao fim, depois de uma ligação iniciada em 2016 e que resultou em quatro títulos mundiais e 71 vitórias em Grandes Prémios. A notícia chega num momento especialmente sensível: com regulamentos totalmente novos em 2026, equipas numa corrida acelerada por vantagens estratégicas e uma Red Bull que já viu o seu núcleo técnico começar a fragmentar-se.

Uma parceria lendária construída desde Barcelona 2016
Lambiase juntou-se a Verstappen no fim-de-semana em que o neerlandês fez história: a vitória no GP de Espanha aos 18 anos. Desde então, o engenheiro italiano tornou-se a “voz no ouvido” de Verstappen, conhecido pelo tom calmo, seco e extremamente preciso — frequentemente protagonista de alguns dos diálogos de rádio mais icónicos da F1 moderna.
O impacto desta parceria não se resume a estratégia: Lambiase ajudou a moldar o estilo de condução de Verstappen, bem como o da Red Bull, ajudou a afinar o seu processo mental em corrida e a otimizar cada detalhe do RB16, RB18, RB19 e RB20, carros que dominaram três das últimas quatro temporadas.
Razões pessoais ditam afastamento — e não é a primeira vez
A temporada de 2025 já tinha deixado sinais claros: Lambiase falhou os Grandes Prémios da Áustria e da Bélgica por motivos pessoais, com Simon Rennie a assumir temporariamente as funções. O engenheiro, agora com 45 anos, reforçou após Abu Dhabi que “esta temporada tem sido muito difícil para mim pessoalmente, para além das corridas”, sugerindo um desgaste acumulado num trabalho que exige viagens constantes, horas intermináveis e pressão total. A partir de 2026, Lambiase deverá continuar na Red Bull, mas a partir de Milton Keynes, numa função técnica sem presença em pista.
🚨| Gianpiero Lambiase (GP) was upset following the Abu Dhabi Grand Prix.
— Ashley Sutton (@AshSuttonJourno) December 8, 2025
He's had some difficult personal issues but has fought on as Max Verstappen's race engineer.
He is the best race engineer on the grid. pic.twitter.com/I2lxXTOyVE
Efeitos dominó dentro da Red Bull: instabilidade à vista?
A saída de Lambiase não acontece num vácuo. Junta-se a um conjunto de mudanças que estão a redesenhar a estrutura da equipa Red Bull:
- Adrian Newey já abandonou o projeto e prepara novo capítulo fora da Red Bull.
- Jonathan Wheatley, diretor desportivo, também saiu recentemente.
- Christian Horner enfrenta incerteza contínua após meses de tensão interna.
- Helmut Marko, figura central no programa de jovens pilotos, é alvo de rumores persistentes de saída.
Uma estrutura que dominou a F1 durante quase uma década pode estar prestes a entrar na sua maior reconfiguração desde 2005.
O que isto significa para Verstappen?
Max Verstappen encontra-se numa encruzilhada, tanto emocional como técnica. Por um lado, a saída do engenheiro que confia mais profundamente, e que conhece o seu estilo como ninguém, pode afetar o seu conforto competitivo, por outro, a chegada dos novos regulamentos em 2026, com motores parcialmente elétricos muito mais complexos, requer estabilidade — e a Red Bull está longe disso. A somar a isto, os rumores sobre o interesse da Mercedes e até da Aston Martin voltam a ganhar força, especialmente com a possível saída de Marko. A temporada 2026 pode tornar-se o maior teste da carreira de Verstappen, que sempre destacou a importância de Lambiase no seu sucesso.
Quem poderá substituir Lambiase?
Ainda não há confirmação, mas os nomes mais fortes são:
- Simon Rennie, já habitual substituto e ex-engenheiro de Daniel Ricciardo.
- Um engenheiro interno promovido da divisão de performance.
- Uma contratação externa — improvável, mas não impossível dada a crise estrutural.
Seja quem for, integrar-se com um piloto tão exigente e tecnicamente refinado como Verstappen não será tarefa fácil.

O início de uma nova era — ou de um fim anunciado?
A saída de Gianpiero Lambiase marca claramente o fim de um capítulo dourado na Red Bull. Nenhuma parceria engenheiro-piloto dura para sempre, mas poucas foram tão determinantes para o sucesso de uma equipa quanto esta. A grande questão agora é simples, mas profunda: a Red Bull continuará a ser uma superpotência em 2026 ou este é o primeiro passo de uma queda inevitável? O tempo encarregar-se-á de responder.











