O Frederico Varandas confirmou a renovação de Rui Borges com o Sporting, sublinhando que a decisão assenta no processo de trabalho e não em resultados imediatos, garantindo confiança total no treinador para o futuro do clube.
Varandas explica renovação de Rui Borges e afasta dúvidas sobre o futuro
Em conferência de imprensa, o líder leonino abordou o tema da renovação e respondeu às principais questões colocadas pelos jornalistas.
Frederico Varandas: “Estamos aqui hoje a celebrar a renovação do contrato de Rui Borges, extendendo mais um ano. Neste momento, Rui Borges e a sua equipa técnica fazem cerca de 16 meses de Sporting. Há quem valorize muito os resultados dos últimos 15 dias, o trabalho dos primeiros meses, a conquista do campeonato, a conquista da dobradinha, a melhor campanha europeia de sempre, o recorde de vitórias seguidas em Alvalade, o facto de não termos conseguido conquistar mais títulos. Por isso, percebo que em 16 meses há em que valorize mais uns aspetos do que outros. Nós valorizamos mais o processo de trabalho. E sendo a renovação de um contrato, interpretamos como um ato para o futuro. Independentemente dos títulos conquistados e perdidos, o processo é o critério mais decisivo para continuarmos que o Sporting tem um futuro na decisão dos títulos. Existe também um lado humano que valorizmos muito, Rui Borges é um homem sério, honesto, que protege os seus e que eu valorizo muito, que comunica pela sua cabeça e jamais por um presidente dizer o que tenha de dizer. Rui Borges é e continuará a ser o nosso treinador.”
Frederico Varandas: “Não tomamos decisões por marés, não navegamos à vista do que estão a dizer, do que vão sentir. O Sporting navega com base em acreditar em processos de trabalho. Já renovei com um grande treinador que terminou em 4.º lugar. Não é o momento desportivo, não é 15 dias de decisões que tomam o fator preponderante de uma decisão. Recordo-me bem em setembro de 2025, a primeira vez que falei com jornalistas, saiu uma pergunta sobre se eu ia renovar com Rui Borges e eu eu não disse nada. Criou-se um caso. Não é que em 5 ou 6 eventos/momentos em que comuniquei com jornalista houve sempre a pergunta. Nunca disse nada e reparei sempre que havia um burburinho. A resposta do timing do ponto de vista de gestão é simples. O mister tinha mais um ano de trabalho, a maneira de ter estabilidade, a renovação a ajuda? Ajuda. Do ponto de vista negocial, como devem calcular, é muito mais difícil se for feita no último ano. São várias razões óbvias. Também sei que não tivéssemos feito a renovação, quem está a perguntar pelo timing eram as mesmas pessoas que estariam a perguntar em 2026 se iria renovar.”
Há muitos adeptos que podem considerar um risco tendo em conta o que aconteceu no Benfica, onde o resultados não aparecem e tem de tomar uma decisão na temporada seguinte. Que objetivos estão definidos? Estas possíveis ponderações podem surgir? Garante que não vai despedir?
“Não temos nada a ver. O clube é diferente, os dirigentes é diferente. Nem eu tenho nada a ver. Expectativa? É que o míster continue a dar a performance desportiva como tem feito, na luta pelos títulos, na decisão dos títulos. Temos ganhado mais do que perdido, o queremos é estar na decisão. Este ano tivemos nas decisões. Risco? Desde que assumi este cargo não tenho medo de perder. Estou muito tranquilo com as decisões tomadas.”
Antigos nomes têm criticado a renovação, o trabalho do treinador. O que tem a dizer aos adeptos?
“Um presidente de um clube tem de perceber o que é o adepto. E eu percebo muito bem. Percebo muito bem a memória, a importância do presente na vida do adepto. Mas também quero dizer que jamais decidirei como adepto. Críticos? São adeptos. Objetivos? Continuar a ser o que temos sido. Estes senhores aumentaram a fasquia. É um grupo mais vencedor dos últimos 70 anos. Esses adeptos têm de ter 80 anos para cima para se lembrarem de algo melhor.”
Frederico Varandas: “Sobre o mercado, é um clássico. O Sporting arranca os campeonatos mal porque faz um mercado mal. Este ano o mercado de janeiro foi o culpado. Se quer a minha análise fria, racional do insucesso desta época… é o que o insucesso é resultado do sucesso. O Sporting chega até aos oitavos – é importante referir que estava muito tranquilo e achei que seria difícil passar os playoffs, foi muito desafiante passar aquela fase. Acontece que passámos com distinção, fomos a sétima equipa com melhor performance. Nos oitavos encontrámos uma equipa com muitas vantagens e é verdade que eliminámos essa equipa. Vendo o calendário desportivo das competições domésticas e sabendo quem viria a seguir eu tinha muita confiança de que se o Sporting não tivesse passado o Bodo teríamos o tricampeonato na mão. O Bodo foi um dos melhores jogos que vi na vida na história do Sporting. Para mim, essa vitória veio complicar as vitórias na Liga e na Taça. Felizmente que não sou treinador. Analisando o calendário havia de Arsenal, Benfica, FC Porto, estamos a falar de 7 dias, 3 jogos de exigência única. Vou condenar o meu treinador por terem acreditado que era possível passar às meias? Por terem disputado dois jogos contra o líder da Premier e tivemos até ao último segundo a discutir a passagem. Vou condenar? A fatura? Pagámo-la muito. Tanto se fala de lesões e cansaço. A célula muscular demora 5 dias a recuperar 100%. São factos científicos. Significa que, se jogarmos 4 dias depois, que o atleta vai jogar a 80%. O risco de lesões aumenta. Quando olhei para o adversário, se temos tido um jogo com uma equipa de uma dimensão menor provavelmente teríamos sobrevivido. Temos plantel de qualidade, profundidade para ganhar a Liga, ganhar a Taça, ir às meias? Não. Vamos analisar as 8 equipas que chegaram aos quartos da Champions. Como foram as suas performances nas Ligas domésticas. O Real Madrid hipotecou o campeonato, o PSG perdeu o jogo. E estas equipas? Têm mau departamente médico? Não vejo assim. O mercado de janeiro é o costume. Temos um plantel mais valioso. Esta equipa chegou em dezembro com um plantel que tinha Viktor. Hoje o plantel é mais valioso. Se o plantel é fraco então tenho de dizer que os dos nossos rivais ainda são mais fracos. Vocês comparam o incomporável. A exposição competitiva não tem nada a ver com a do líder do campeonato. A Liga dos Campeões não tem nada a ver com a Liga Europa. Nada a ver. Façam um simples exercício. Agarremos no líder justo e ponham essa equipa a jogar contra Juventus, Nápoles, Marselha, PSG, Bayern, Bodo, Arsenal e pergunto-vos. A perfomance seria a mesma no campeonato? Acho que não. Aí há mérito do nosso rival porque percebeu as suas limitações e jogou só para um troféu. O FC Porto rodou 8 jogadores. Foi elimiado pelo Sporting com um Sporting a 50% das suas capacidades. O que é isso de ser a melhor equipa? Já conquistámos 3 campeoantos. Há um em que o Sporting não era a melhor. Fomos competentes. Éramos a melhor equipa? Não. Vocês comparam o incomparável. Se não tem a havido a remontada acredito que o campeonato seria nosso. Daria sempre parabéns aos profissionais do FC Porto, aos jogadores, tiveram muito mérito. Acima disso há coisas mais importantes. A forma de estar na vida, está muito acima da vitória ou da derrota.”
Frederico Varandas: “É altura de esclarecer com factos e ciência. O Sporting está desde 2013 num grupo de elite da UEFA. É um grupo com médicos, investigadores. Todos os anos há um recolha de dados, tudo é avaliado. O FC Porto e o Benfica já estavam antes. Todos anos há um tratamento dos adeptos. Sabem o número médio de lesões? Duas lesões por jogador. O que vai andar por 40 a 50 lesões ano. Por concidência vi um artigo em Espanha onde estão detalhados os problemas. O Real Madrid teve 100 e tal, o Atlético 65. O Sporting está abaixo da média de lesões por ano. Há um ruído permanente. O Sporting foi jogar ao Dragão e com o meu treinador só falaram de lesões. Não há uma notícia sobre lesiados do FC Porto. É moda. Depois temos de ver a qualidade da lesão. Analisem o Arsenal, o City. O Sporting tem um número reduzido de lesão muscular, que é a única que se consegue controlar. A maioria são traumáticas. Vocês têm de fazer o vosso trabalho. Não é verdade que tenha mais lesões do que estas equipas. Não é que o nosso diretor clínico foi convidado para assumir a direção clinica de um clube top 5 da Premier League. E não é o City. O nosso fisio foi convidado para um clube que está no top-5. E não é que o coordenador da unidade perfomance também foi convidado. São três clubes diferentes. E não é que o nosso diretor clínico foi convidado para estar na final do Mundial.”










