Pinto da Costa faleceu hoje, aos 87 anos. O ex-presidente do FC Porto já tinha, no entanto, revelado uma lista de quem queria que fosse e não fosse ao seu funeral
O livro autobiográfico de Pinto da Costa, intitulado “Azul Até ao Fim”, causou grande impacto, mesmo antes do seu lançamento oficial. A obra, que está envolta em polémica, uma vez que Pinto da Costa havia prometido revelar uma lista de pessoas que o traíram e que faz questão que não vão ao seu funeral. Uma das partes mais marcantes do livro é a página onde o ex-presidente do FC Porto revela, sem rodeios, as pessoas que não gostaria de ver no seu funeral, incluindo membros da atual direção do clube e antigos jogadores. Agora que Jorge Nuno Pinto da Costa faleceu, será que esta lista vai ser respeitado?
“Não quero mal a ninguém, mas…”
Pinto da Costa, que liderou o FC Porto durante mais de quatro décadas e se tornou uma figura incontornável do futebol português, não poupou nas palavras ao falar sobre quem gostaria de evitar no seu último adeus. “Não quero mal a ninguém. Mas porque tanto prejudicaram a paz dos meus últimos dias, não gostaria que lá estivesse alguém da atual direção do clube“, escreve o histórico presidente portista, num tom que deixa transparecer desilusão e ressentimento. Entre os nomes mencionados, destacam-se ex-jogadores como Helton, Maniche, Eduardo Luís, André e Sousa, figuras que outrora partilharam os momentos de glória no FC Porto, mas que Pinto da Costa considera terem-no traído.
Uma relação deteriorada com antigos aliados
No livro, Pinto da Costa foi além dos jogadores e mencionou também outras figuras que, ao longo dos anos, estiveram próximas da estrutura portista. Um dos nomes mais surpreendentes é o de Antero Henrique, antigo diretor desportivo do FC Porto que, durante muitos anos, foi visto como braço direito do presidente. Também Raúl Costa, Joaquim Oliveira, Tiago Gouveia e Pedro Bragança surgem na lista de pessoas indesejadas, com Pinto da Costa a afirmar: “Estou certo que não terão ‘lata’ para lá ir”. Estas declarações revelam o afastamento que ocorreu nos últimos tempos entre o líder histórico do clube e alguns dos seus antigos aliados, algo que poderá ser aprofundado ao longo do livro.
Uma despedida seletiva
Apesar da contundência com que se refere a algumas pessoas, Pinto da Costa faz questão de sublinhar que não é movido por rancor. Na mesma página do livro, o ex-presidente clarifica que, ao evitar a presença de certas pessoas, está apenas a preservar a paz que tanto deseja nos seus últimos momentos. Esta revelação contrasta com o seu lado habitualmente pragmático e reservado, mostrando uma faceta mais emotiva e vulnerável, ao escolher meticulosamente aqueles que não deseja ver no seu funeral. Por outro lado, Pinto da Costa também é claro sobre quem deseja ver junto de si, afirmando que: “Gostava de ter ao meu lado o António Henrique, que é o padrinho da (filha) Joana, o Pedro Pinho, o Quintanilha, o Fernando Póvoas, o Luís Gonçalves, o António Oliveira, o Hugo Santos, a Sandra Madureira, o Fernando Madureira, o Caetano, e Marcos Polónia“, revelou o ex presidente do FC Porto.
Curiosidades e factos marcantes da vida de Pinto da Costa
Além das revelações surpreendentes sobre as suas relações pessoais, “Azul Até ao Fim” promete abordar outros episódios marcantes da vida de Pinto da Costa. Ao longo das mais de quatro décadas à frente do FC Porto, Pinto da Costa transformou o clube num dos mais bem-sucedidos da Europa, com um impressionante palmarés de títulos, incluindo várias Ligas dos Campeões e Ligas Portuguesas. Conhecido pelo seu estilo de liderança forte e por muitas vezes desafiar o poder instituído no futebol nacional, Pinto da Costa também se envolveu em várias polémicas ao longo dos anos, incluindo investigações e processos judiciais, dos quais sempre saiu por cima, reforçando o seu estatuto de lenda viva.
O legado e o impacto duradouro
Apesar dos desentendimentos recentes e das críticas que possa enfrentar, é inegável que Pinto da Costa deixou uma marca indelével na história do futebol português e mundial. O seu legado é um dos mais ricos e influentes do desporto nacional e o FC Porto de hoje é, em grande parte, o reflexo do seu trabalho incansável ao longo de décadas. O livro “Azul Até ao Fim” oferece, portanto, uma oportunidade rara de entrar na mente de uma das figuras mais enigmáticas e poderosas do desporto, revelando não apenas os seus sucessos, mas também as suas desilusões pessoais e os desafios internos que enfrentou até ao fim da sua carreira.
Agora que Jorge Nuno Pinto da Costa faleceu, ficamos todos à espera de ver se a vontade do eterno presidente










