Selecionador nacional acredita que ninguém chega campeão a um Mundial e que o segredo passa por crescer jogo a jogo
Roberto Martínez está convicto de que o maior trunfo de Portugal para o Campeonato do Mundo de 2026 será a capacidade de fazer os jogadores acreditarem, ao longo da prova, que a conquista é possível. O selecionador nacional sublinha que ninguém chega campeão a um Mundial e que o segredo passa por crescer jogo a jogo durante a fase de grupos.
Em declarações à agência Lusa, o técnico espanhol explicou que, apesar da forte concorrência existente na seleção, a a porta está sempre aberta” para novos jogadores. Ainda assim, reconhece que a exigência é elevada. Uma das principais novidades para o próximo Mundial será a inclusão de um terceiro ponta-de-lança na convocatória de 26 jogadores, algo que não aconteceu nem no Euro 2024 nem na Liga das Nações.
“A porta da seleção está sempre aberta, mas a competitividade que existe faz com que a dificuldade em entrar seja grande. Mas, neste momento, achamos que precisamos de um terceiro ponta-de-lança e que essa será uma posição importante para o Mundial. Temos vários perfis e o estágio de março vai ser muito importante nisso”
Martínez recorda que esta será a sua terceira participação num Mundial e reforça a importância da preparação psicológica, lembrando que Portugal não tem tradição de conquistas na prova máxima. A estratégia passa por uma abordagem progressiva, focada em criar confiança e estabilidade dentro do grupo desde os primeiros encontros.
“Vai ser o meu terceiro Campeonato do Mundo e aprendi que ninguém chega como uma equipa campeã. É preciso crescer durante os primeiros três jogos e fazer tudo para que os nossos jogadores estejam confortáveis durante o torneio. Não temos história em Mundiais e isso faz parte da nossa preparação psicológica. Ir passo a passo e fazer os jogadores acreditarem que podemos realmente ganhar o Mundial”, sublinhou o selecinador
A seleção nacional ficará integrada no Grupo K, com jogos repartidos entre Houston e Miami. A estreia será frente ao vencedor do play-off intercontinental — que sairá entre Jamaica, Nova Caledónia e República Democrática do Congo — seguindo-se desafios diante do Uzbequistão, que se estreia em Mundiais, e da sempre competitiva Colômbia.
A lista final será anunciada no final de março, após um estágio nas Américas, que inclui particulares com México e Estados Unidos. Segundo o treinador, estes jogos permitirão simular as condições que Portugal irá encontrar no torneio, desde a altitude até aos estádios fechados, algo fundamental para a adaptação da equipa.
O selecionador admite que o último mês antes de grandes competições é sempre delicado, sobretudo devido ao risco de lesões, mas sente que Portugal dispõe agora de muito mais alternativas em todas as posições do que no passado recente. Para Martínez, as equipas campeãs distinguem-se precisamente pela forma como superam estes contratempos.
“Essa é uma altura difícil por causa das lesões, mas faz parte. Acho que uma seleção que consegue ganhar uma taça ou um torneio é porque conseguiu adaptar a equipa nos momentos chave em que há lesões e castigos. Estamos agora mais preparados como equipa para ter soluções. Portugal cresceu muito durante os últimos torneios”, lembrou.
Antes da viagem para a América do Norte, o plano passa ainda por realizar dois encontros de preparação em território nacional, um deles a 10 de junho, Dia de Portugal, com o objetivo de reforçar a ligação entre a equipa e os adeptos.
“Queremos fazer um amigável no dia 10 de junho, dia de Portugal, para criar a química perfeita com os nossos adeptos antes de irmos para o Campeonato do Mundo”, referiu
Ao completar três anos à frente da seleção, Roberto Martínez apresenta um registo notável: vitória na Liga das Nações, presença nos quartos de final do Euro 2024, 12 triunfos consecutivos em jogos oficiais e uma campanha imaculada de apuramento para o Europeu, com 10 vitórias em 10 partidas. Em 36 jogos, Portugal marcou 96 golos, com uma média de 2,66 por encontro e uma taxa de vitórias de 69,4%.
O Mundial de 2026 decorrerá entre 11 de junho e 19 de julho, nos Estados Unidos, Canadá e México, e Portugal quer chegar lá com a ambição bem viva.









