Treinador espanhol isolou-se no primeiro lugar de uma lista especial, depois da partida frente ao Uzbequistão.
Roberto Martínez é o espanhol mais vitórias
Roberto Martínez, selecionador de Portugal, tornou-se hoje no treinador espanhol com mais vitórias em fases finais de Mundiais de futebol, após o triunfo luso por 5-0 sobre o Uzbequistão, na segunda jornada do Grupo K.
Martínez somou a oitava vitória em Campeonatos do Mundo, juntando a alcançada hoje às sete conseguidas com a Bélgica, seleção que orientou entre 2016 e 2022 e que foi terceira no Mundial2018.
O oitavo triunfo, em 12 jogos disputados nesta competição, permitiu ao técnico catalão superar o histórico Vicente del Bosque, campeão do mundo em 2010, que somou sete vitórias no banco em 10 encontros em Mundiais.
Antes da goleada de hoje de Portugal frente ao Uzbequistão, Roberto Martínez já se tinha tornado no treinador espanhol com mais presenças em fases finais de Campeonatos do Mundo, estando a participar no torneio pela terceira vez depois de ter orientado a Bélgica em 2018 e 2022.
Depois do empate 1-1 diante da República Democrática do Congo na estreia, Portugal impôs-se hoje com um ‘bis’ de Cristiano Ronaldo (06 e 39 minutos), golos de Nuno Mendes (17) e Rafael Leão (87) e um autogolo do guarda-redes Abduvohid Nematov (60).
A seleção portuguesa tem quatro pontos, mais um do que a Colômbia, que a partir das 03:00 (hora em Lisboa) de quarta-feira defronta os congoleses, terceiros com um, enquanto os uzbeques seguem em último no Grupo K, sem qualquer ponto.
“A resposta que demos abafou”
No final do encontro, em conferência de imprensa, o treinador espanhol analisou o triunfo da Seleção, e os acontecimentos dos últimos dias.
Tal como no jogo contra o Congo, Portugal marca muito cedo, mas agora não relaxa. É o que leva de mais importante? A reação aos golos?
“Controlar as emoções. Na estreia marcámos e perdemos o controlo do jogo, as posições. Era trabalhar com o marcador. Jogadores utilizaram muito o que aconteceu no primeiro jogo, com intensidade, clareza, chegámos ao último terço. Os cinco jogadores que entram continuam com uma disciplina tática muito importante e isso faz toda a diferença. Controlar as emoções é ainda mais importante.”
Estes dias foram produtivos em termos de trabalho…
“Diria que houve muito trabalho nos últimos 41 jogos, nos últimos dias foi alinhar conceitos. Na bola parada tivemos muitas situações que não terminaram em golos mas as oportunidades estiveram lá. Foram dias importantes a nível psicológico. O grupo fechou do barulho de fora, o balneário tornou-se mais unido para poder controlar as emoções. Hoje marcar o segundo golo ajuda, há aspetos que facilitam, noutro jogo se o golo não é anulado muda. Estou satisfeito porque aprendemos as lições rapidamente”.
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“São jogadores que mudaram o futebol. Precisaram da sua rivalidade para crescer. Há o ícone mas depois há o capitão agora, que é muito mais simples, um exemplo do que é jogar pela seleção. Tem uma atitude incrível dentro do balneário. Teve uma disciplina incrível. Muito contente por ele, merece. Está a recuperar e a preparar o próximo. É essa simplicidade que faz com que seja único.”
Qual é a importância das bolas paradas?
“Acho que os jogadores percebem muito o seu trabalho, é uma obsessão. A bola parada para o Austin [adjunto] é uma obsessão. Foi muito bonito terem reconhecido o trabalho dele. É um trabalho chato, os jogadores precisam de muito foco. Foi fantástico. Uma ideia coletiva muito bem executada.”
Cristiano falou de uma semana escura. Como viu o capitão nesse período? Plano era jogar os 90 minutos?
“Foi uma semana difícil, não conseguimos o resultado pelo qual trabalhámos. Há barulho que não é justo, que são fake news, aspetos que são mal intencionados. Mas também tivemos muita força, de muitos portugueses que adoram a seleção, que percebem que é uma lição de vida. O que fizeram depois de um resultado é fácil olhar para o outro lado. Focaram-se e tiveram uma atitude incrível. Estivemos com raiva, doentes, o resultado foi crescer como equipa. Foi um capitão exemplar. 90 minutos? É um jogador que joga tudo no seu clube, só teve uma lesão em março. Está fresco. A gestão é jogo a jogo, não é para fazer planos. A sua posição era um problema para o Uzbequistão. Precisamos de o utilizar.”
De que forma adaptou o seu discurso com os seus jogadores para transformar a raiva?
“O jogo correu bem durante 20 minutos, mas depois perdemos o controlo. Não continuámos o plano. No desporto coletivo a clareza é essecial, foi um momento de avaliar o jogo e ter uma ideia do porquê, foi um aspeto de clareza, de disciplina tática. As emoções fazem parte do jogo, precisamos de controlar isso.”
O que achou do Uzbequistão. A Colômbia pode ser o adversário mais difícil?
“Tenho respeito pelo trabalho do Cannavaro. Conseguimos parar a sua ameaça com bola. A estrutura, a maneira como jogam… é uma equipa muito bem estrutura e muito bem trabalhada. Colômbia? Está num momento de forma fantástico, adora estar no Mundial, é uma referência, esperamos um grande jogo em Miami”
Alguma vez Cristiano duvidou dele mesmo?
“É um ser humano, tem sentimentos, mas a resposta está sempre lá. O profissionalismo tem lhe dado longevidade. Não sei se é genético ou trabalho, acho que é uma combinação. Nunca trabalhei com um jogador com essa capacidade.”
Impacto do empate com o Congo
“É o meu terceiro Mundial. Pensava que o único caminho era ganhar todos os jogos, mas depois dás-te conta de que é ao contrário. A equipa que ganha é a que consegue reverter o maior número de dificuldades. São 8 jogos. A nossa equipa está muito mais preparada agora depois destes dias do que quando chegou. Vamos dar tudo contra a Colômbia.”
Barulho e críticas
“Foi um momento difícil vivido no balneário, mas vi um grupo com uma tremenda responsabilidade. Há coisas que podemos controlar e outras não. Há pessoas que não veem o que veem a maior parte dos nossos adeptos, que até nos mandam cartas. Há de tudo um pouco. Dá responsabilidade ao grupo, as vozes experiententes dã-nos união. A resposta que demos abafou de uma maneira muito positiva.
O que se passou de um jogo para outro?
“Necessitamos de todos, o meio campo tem muita qualidade, que precisa da velocidade das alas, da capacidade de finalização. Depois de marcarmos no primeiro jogo perdemos a disciplina das posições, demos oportunidades de contra-ataque, foi algo psicológico, o adversário marca antes do intervalo. Hoje fomos disciplinados.”










