Sporting soma, nesta altura, 23 partidas com três ou mais golos apontados
Ao longo da história do futebol português, várias equipas destacaram-se pela impressionante capacidade ofensiva. Uma das formas mais comuns de medir esse poderio é através do número total de golos marcados numa temporada. E há marcas que parecem quase impossíveis de repetir.
Na época de 1946/47, o Sporting dos lendários Cinco Violinos estabeleceu um registo que ainda hoje impressiona: 123 golos no campeonato nacional. A média de 4,73 golos por jogo continua a soar irreal. Transportando esses números para o formato atual da Liga, com 34 jornadas, a equipa leonina terminaria a prova com cerca de 160 golos marcados — um valor praticamente inalcançável no futebol moderno.
Anos mais tarde, em 1963/64, foi o Benfica a escrever uma das páginas mais goleadoras da história. Os encarnados alcançaram um total de 160 golos em competições nacionais e internacionais, um recorde absoluto que permanece intacto. Desse total, 103 foram apontados no campeonato, 56 na Taça de Portugal e um na Taça dos Campeões Europeus. Tudo isto em apenas 41 partidas, o que representa uma média extraordinária de 3,9 golos por encontro. Para atingir semelhante marca atualmente, o Benfica teria de ultrapassar os 200 golos numa época de 55 jogos, cenário altamente improvável.
Mas há outras maneiras de avaliar a eficácia ofensiva de uma equipa além do número final de golos. Uma delas passa por analisar quantas vezes uma formação consegue marcar pelo menos três golos num jogo, independentemente do resultado.
Também neste capítulo o Benfica domina os registos históricos. As equipas de 1963/64 e 1964/65 conseguiram 29 encontros com três ou mais golos marcados. No primeiro desses anos, os encarnados atingiram essa fasquia em 70 por cento dos jogos realizados — um dado verdadeiramente notável.
No FC Porto, o melhor registo pertence à temporada de 2010/11. A equipa portista terminou essa época com 28 partidas acima dos dois golos marcados. Ainda assim, como realizou 58 jogos no total, a percentagem ficou nos 48 por cento.
Já o Sporting alcançou o seu máximo histórico em 2023/24, com 25 jogos a marcar pelo menos três golos. Num total de 54 encontros, os leões apresentaram uma taxa semelhante à do FC Porto de André Villas-Boas: cerca de 46 por cento.
É precisamente esse recorde leonino que a equipa atual ainda pode superar. O Sporting soma, nesta altura, 23 partidas com três ou mais golos apontados. Entre os resultados mais expressivos destacam-se os triunfos por 6-0 frente a Arouca e Aves SAD, o 5-1 diante do Vitória de Guimarães e do Alverca, além do contundente 5-0 sobre o Bodo/Glimt.
Os leões têm agora três oportunidades para igualar ou ultrapassar a melhor marca da sua história: os jogos frente a Rio Ave e Gil Vicente, nas últimas jornadas da Liga, e ainda a final da Taça de Portugal contra o Torreense. Precisam de marcar três ou mais golos em dois desses encontros para igualarem o recorde e em todos os três para estabelecerem uma nova fasquia.
A tarefa não se antevê simples, mas continua perfeitamente ao alcance. Curiosamente, o atual máximo foi alcançado sob o comando de Ruben Amorim e pode agora ser ultrapassado por Rui Borges. Há ainda vários jogadores que fizeram parte das duas campanhas, entre eles Iván Fresneda, Gonçalo Inácio, Ousmane Diomande, Eduardo Quaresma, Hidemasa Morita, Pedro Gonçalves, Daniel Bragança, Morten Hjulmand, Nuno Santos, Francisco Trincão, Geny Catamo e Rafael Nel.

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