O governo de Vladimir Putin intensificou a perseguição a uma das vozes mais críticas do Kremlin.
Esta terça-feira, o tribunal do Distrito de Zamoskvoretsky, em Moscovo, emitiu um mandado de detenção contra o antigo campeão mundial de xadrez e ativista político Garri Kaspárov.
As autoridades russas acusam Kaspárov de atuar como “agente estrangeiro” e de fazer “apologia ao terrorismo”. A ordem judicial estabelece uma detenção preventiva de dois meses, que deverá entrar em vigor no próximo dia 26 de dezembro, contando a partir do momento em que o xadrezista pise solo russo ou seja deportado para o país.
A resposta irónica de Kaspárov
Garri Kaspárov, que vive exiliado em Nova Iorque há vários anos, reagiu prontamente à notícia avançada pela agência estatal russa TASS. Através das suas redes sociais, o mestre do xadrez lançou um dardo direto ao líder russo:
“Outra vez? Deve ser porque opor-se ao terrorismo de Estado agora se chama terrorismo…”, escreveu Kaspárov, ironizando sobre as acusações de que é alvo por parte de um regime que ele próprio classifica como terrorista.
Um exílio que o mantém seguro
Apesar da ordem de prisão, é altamente improvável que Kaspárov venha a ser detido pelas autoridades russas no futuro próximo. O ativista é um dos rostos mais visíveis da oposição russa no estrangeiro e tem sido vocal na condenação da invasão da Ucrânia e das políticas repressivas de Putin.
Desde que abandonou a Rússia, Kaspárov tem evitado qualquer viagem a países que mantenham acordos de extradição com o Kremlin, sabendo que o seu regresso enquanto Putin estiver no poder significaria o encarceramento imediato, à semelhança do que aconteceu com outros opositores como Alexei Navalny.
Esta medida é vista por analistas internacionais como mais um passo simbólico de Moscovo para criminalizar a dissidência, mesmo quando esta opera fora das fronteiras da Federação Russa.











