José Mourinho fez a antevisão do confronto entre o Benfica e o Nápoles.
José Mourinho, treinador do Benfica, fez a habitual conferência de imprensa que antecede o confronto frente ao Nápoles, a contar para a sexta jornada da fase de liga da Liga dos Campeões, agendado para a próxima quarta-feira, dia 10 de dezembro, às 20h, no Estádio da Luz.
É uma vantagem conhecer as equipas italianas?
“Não sei se será. Se calhar demoro menos tempo a analisar do que se fosse outra cultura. O facto de conhecer bem não significa que as dificuldades sejam menores ou que as qualidades passem a ser inferiores. É uma equipa muito forte, que ganhou dois campeonatos em pouco tempo, que joga diferente do que jogava na parte inicial da época, infelizmente para nós… Gosto muito mais da maneira que estão a jogar agora”.
Que conclusões tirou do último jogo frente ao Sporting?
“Contra o Sporting fizemos um bom jogo, fomos mais fortes do que um adversário que é o bicampeão, que é uma ótima equipa. Fomos penalizado por um início de jogo mau, com um erro individual, de dois elementos, que é uma coisa que nos tem penalizado. Com o Bayer Leverkseun foi o nosso jogo mais conseguido, onde o empate já seria um resultado não à imagem, acabamos por perder com um jogo individual. No Chelsea perdemos com um autogolo. Contra o Nacional começamos a perder com outro erro. A equipa sob o ponto de vista da coesão está mais forte mas quando chegas a este nível e cometes erros individuais pagas por eles”.
Baixas na equipa do Nápoles?
“Não me faça rir porque uma coisa é não teres Lukaku e teres Hojlund. Não me faça rir com jogadores que faltam, porque não ter De Bruyne… As minhas ausências fazem-me chorar, que não é aquilo que quero como filosofia nossa. Você vê a equipa que joga, quem está no banco, esquece quem falta. Tiveram de mudar de sistema, mudaram para um que fazem do Nápoles uma equipa melhor”.
Diferenças entres o campeonato italiano e o português?
“Não vejo jogos do campeonato italiano. Fixo-me onde trabalho, vejo os jogos do campeonato onde estou. Depois resta-me pouco tempo para ver jogos de campeonatos onde não estou. Em Itália existe uma grande cultura tática, os jogadores trabalham bem o lado tático do jogo, são equipas com uma fisicalidade muito grande. As equipas de melhor qualidade individual como é o Nápoles conseguem aliar aquilo que de bom fazem com o que de bom têm em termos de individualidades”.
Os adeptos do Real Madrid têm interesse em que regressasse. Como vê esses notícias?
“Não me faça perguntas de se… Ao Benfica é fácil dizer que não? Nem sequer precisa de fechar o assunto, o assunto já está fechado. O assunto foi você que o abriu”.
Milhões da Liga dos Campeões podem ter peso no mercado de janeiro. Está preparado para o caso de não receber reforços?
“Não penso em mercado. Ao pensar em tirar o que de melhor posso tirar dos jogadores que tenho e da formação já estou a trabalhar de um modo em que estou a partir do pressuposto que não há mercado. Só para ter uma ideia, amanhã temos 23 jogadores, 10 são da formação do Benfica. Desses 10, três chegam pela primeira comigo, estamos a falar de miúdos que chegam recentemente. Tudo aquilo que aconteça e a influência que possa ter ocupa zero. Parto do pressuposto que não há mercado.
“Se houver, obrigado, ajudará. Partindo desse princípio, o resultado só interessa em termos do apuramento desportivo. Enquanto a matemática me der esperança tenho esperança. Só a matemática é que me pode dar esperança. Acho que 10 pontos chegariam, o que significa que o resultado do jogo de amanhã não me pode tirar as esperanças. É ultra difícil mas continua a ser possível. Qualquer coisa que aconteça amanhã não vai acabar matematicamente, o treinador tem de ter a sua equipa no limite. Vamos olhar para o jogo a pensar que o temos de ganhar”.
Quando José Mourinho chegou disse que ia meter a equipa do Benfica a morder mais.
“Não posso dizer que se tivesse começado estaria melhor ou pior. Acho que é uma leviandade dizê-lo. Não quero entrar por aí. Não me sinto confortável a dizê-lo. Não comecei o campeonato com este plantel, foi o treinador anterior que decidiu e pediu. Acho que é uma leviandade ir por esse tipo de comentário”.
Vão ser lançados mais jovens na equipa?
“O Neto está convocado para amanhã e, se está convocado, pode jogar. Precisam que, se errarem, não os martelem, é a primeira coisa de que precisam. Já é suficiente a pressão inerente à estreia, de passar para uma pressão maior. Acrescentar mais pressão é a pior coisa que pode acontecer. Alguém tem de os meter lá dentro, se não os meter serão sempre jogadores com potencial, de interrogação. Falta jogarem mais do que os outros. O McTominay, houve alguém que o meteu lá dentro. Com o José Neto esse alguém vou ser eu”.
Equipas de Antonio Conte?
“Falar de Antonio é falar do Nápoles. As equipas de Conte são completas, é impossível detetar alguma coisa que se possa dizer que são fracos. São equipas muito compactas, com consciência tática alta. O Conte é muito exigente com o mercado, arranja sempre uma maneira de criar uma equipa muito forte. Considero-o um dos treinadores mais fortes em termos de preparação da equipa”.
Acredita que podem existir elementos emocionais para o jogo de amanhã?
“Não. Estas coisas de emoção para mim são antes, depois e mais nada. Durante o jogo não tenho tempo para pensar nisso. Não tenho tempo para pensar neste tipo de viagens que me levem longe do jogo. É um jogo que precisamos de ganhar, contra um adversário muito forte. Vai ser muito difícil mas vamos fazer os possíveis para ganhar”.
Acredita que este jogo é a última possibilidade do Benfica seguir em frente na Liga dos Campeões?
“Como dizia, enquanto for possível será possível. O Benfica é um dos maiores clubes do mundo, não há outra cultura que não seja esta, vamos até ao fim. E pluribum num. Não ganhar torna a situação complicada, mas ainda temos mais 6 pontos. Neres está a jogar bem, se não jogar joga o Politano. Não muda nada. O Nápoles é uma equipa que vive dos talentos e de uma cultura tática muito forte. É por isso que pensar que só o Neres é que… não é suficiente”.
Como é que vai conseguir parar as transições do Nápoles?
“É forte nas transições ofensivas, forte nas bolas paradas, tem 7 gigantes na área. Tem muito trabalho com Conte. É uma equipa que tem tudo. Têm o Hojlund, eu tenho dois bons centrais, as transições são também os outros avançados e extremos. O McTominay é um box to box. É uma grande equipa”.










