Rui Borges fez a antevisão do confronto entre o Benfica e o Sporting.
Rui Borges, treinador do Sporting, fez a habitual conferência de imprensa que antecede o confronto frente ao Benfica, a contar para a 13ª jornada da Liga Portugal, agendado para a próxima sexta-feira, dia 5 de dezembro, às 20h15.
Sporting chega ao dérbi no melhor momento da sua temporada. Acredita que o dérbi será realizado em boa altura?
É um crescimento diário. A nossa leitura, capacidade enquanto treinadores… Olho para este jogo como para outro qualquer. Se é a melhor altura ou não, é o que é. Não me foco muito nessas nuances. Olho para o que tem sido o caminho, que tem sido muito positivo e gradual na confiança, energia e qualidade de jogo. Isso é que me preza ver e perceber perante a nossa equipa. Olho muito para isso. O jogo é nesta fase, é o que é, vale o que vale, vale 3 pontos. A dificuldade é grande, o respeito tal e qual como em qualquer jogo. Duas grandes equipas e será, acredito eu, um grande jogo”.
50 jogos ao serviço do Sporting?
Ponto de vista pessoal? Os 50 jogos é o que é. É a marca, que faça muitos mais. Estamos sempre num crescendo de aprendizagem. O momento é o que tiver de ser. Estamos numa boa fase e queremos dar continuidade e consolidar esse crescimento, técnico, tático e no que tem a ver com a energia coletiva”.
Benfica é favorito no dérbi por jogar em casa?
Vou responder como respondi no nosso jogo aqui com o FC Porto. Disse que era 50/50 e caía para nós uma percentagem por jogarmos em casa. Até acabámos por perder. O Benfica tem pequeno favoritismo nesse sentido, mas acho que é muito repartido. Que seja um grande jogo e que consigamos ser a equipa que temos sido nesse crescimento técnico e tático”.
Sporting entra sempre em campo para mandar no jogo. Acredita que por ser uma partida 50/50 que os seus planos possam ser alterado?
“Não vamos fugir à nossa ideia de jogo, mas do outro lado está um grande equipa que nos vai obrigar a ser mais equilibrados em momentos. Mas não fugimos ao que queremos implementar. Queremos ser equilibrados em todos os momentos e temos de perceber que amanhã isso será muito importante. No processo ofensivo e defensivo, perceber como podemos anular pontos fortes do adversário. Transições, o Benfica é muito forte. Quando ganhava a bola num bloco médio, bem organizado”.
“Acima de tudo, quero que a minha equipa seja capaz de ser a melhor em todos os momentos. Vamos ver se seremos capazes. Acredito que sim, vejo-a confiante, ligada. Não em excesso de confiança, porque poderia ser prejudicial, mas percebem que estão a crescer e querem dividir o jogo, voltar a ter prazer a jogar. E isso, enquanto treinador, deixa-me mais tranquilo. Mas no processo… Vamos ser iguais. Quando não conseguirmos ter tanta bola, é porque o adversário vai ser superior. E temos de ser organizados”.
Existem novas cautelas com a chegada de José Mourinho ao Benfica?
“Tenho exatamente o mesmo respeito pelo mister José Mourinho e pelo mister Bruno Lage. Olho para a equipa e para o coletivo. Claro, perante a ideia de cada treinador. Acredito que o mister Mourinho, como não foi ele que fez a equipa, se tenha adaptado um bocadinho aos jogadores que tem. Acredito que queira colocar em prática outras ideias dele depois do mercado. São tudo suposições. Mas olho para o jogo como olhei para todos. Com respeito pelo adversário, pelo treinador, que já disse que admiro muito. Mas amanhã é Sporting contra Benfica e volto a dizer: que seja um grande jogo, com respeito e bem disputado”.
Os onzes iniciais podem ser parecidos com aqueles utilizados na Supertaça?
“Isso depende de quem olha, da perspetiva. Também olho para o momento do Benfica e tem 3 vitórias seguidas. Não olho muito nesse aspeto. Olho para a minha equipa e dentro da minha ideia está numa fase muito boa de maturação, de estar maturada na sua ideia, naquilo que queremos, nas dinâmicas, jogo coletivo. E depois o individual… Acho que a equipa do Sporting tem esse crescimento. O adversário está numa fase boa. Independentemente do que possam dizer ou da dificuldade dos jogos, também tivemos dificuldades para ganhar ao Nacional, tal como o Benfica.”.
“É muito subjetivo. Acho que é um ‘momento falso’ que existe para fora. Há um bom momento das duas equipas. Benfica ainda não perdeu internamente e na sua casa, por si só, é um adversário difícil. Acredito que será um Benfica a querer ganhar e disputar o jogo, tal como nós também o faremos perante um grande adversário e sem fugir ao que somos. Supertaça? É diferente, são quatro meses. Treinador diferente do outro lado. A nossa equipa está mais adulta, é um pouco diferente nesse sentido. Apesar de achar que fizemos um bom jogo na Supertaça mesmo perdendo. Mas acho que estamos melhores enquanto equipa”.
Acredita que o Benfica está melhor desde o jogo da Supertaça?
“Acho que está numa fase boa, 3 vitórias seguidas. Se calhar é uma fase em que têm maior confiança por causa da mudança de treinador. Também tivemos dificuldades em ganhar ao Nacional, é sempre um campo difícil. Acho que o Benfica está melhor em termos de confiança, em crescendo, percebe em que fase está, sabe que joga em casa e vai querer puxar pelos adeptos. E acredito que queira disputar o jogo desde início e fazer tudo para ganhar, que não fiquem num jogo de expectativa. Acredito que seja um Benfica intenso, que quer ganhar, pressionante na sua maioria do tempo. Tal como o Sporting”.
Pedro Gonçalves tem entrada direta no onze do Sporting?
“Aqui ninguém tem entrada direta, depende do que demonstram diariamente e mostram aos treinadores. O Sporting já era acutilante também com o Pote. O Sporting tem vindo a crescer em termos coletivos e isso deixa-me feliz, a equipa continua a dar resposta. E isso, para mim, é sinal que a mensagem está a passar e é recebida e acreditam muito nela. Não podia pedir mais”.
Vitória do Sporting pode ser um duro golpe nas aspirações do Benfica?
“Em relação à outra pergunta, acho que não vai ditar nada do fecho do campeonato. É um grande jogo. Percebo o porquê de dizerem isso, que podem ficar as duas equipas a seis pontos se o FC Porto ganhar, etc… Mas o ano passado estivemos com muitos pontos de vantagem e depois perdemos alguns. Derivado do que falta para jogar – e falta muito -, em nada este resultado dita o desfecho do que será o final do campeonato”.
Simões, Morita ou Kochorashvili? Quem será titular no meio campo do Sporting?
“Ainda tenho de ver o que a almofada me diz hoje… O Simões está num grande momento. Foi opção não jogar frente ao Estrela, foi só mesmo opção por causa do adversário. Tem feito grandes jogos, vai continuar a fazer grandes jogos. Morita tem crescido, Kochorashvili também tem crescido muito e terá o seu espaço, oportunidades de demonstrar o crescimento. Feliz por ver o Simões e o Morita nesse crescendo de forma, tal como o Kochorashvili”.
Sporting e FC Porto estão apenas separados por 3 pontos. Acredita que os campeonatos são ganhos nos jogos grandes?
“É um bocado subjetivo responder a isso. Muito honestamente, acho que não. O futebol é um jogo de consistência, quem for mais consistente… Não adianta ganhar os jogos grandes e não ganhar os outros. Aquele que for mais equilibrado e consistente será campeão. Acho que os jogos grandes não definem para mim. E não acho que o fosso seja cada vez maior. Acho é que as equipas em bons momentos fazem com que assim pareça. Mas não acredito que esses jogos definam campeonatos. Mas que queremos muito ganhar amanhã, queremos. E isso não ditará o desfecho do campeonato”.










