Rui Borges fez a antevisão do confronto entre o Sporting CP e o Ath. Bilbao.
Rui Borges, treinador do Sporting CP, fez a habitual conferência de imprensa, que antecede o confronto entre os Leões e o Ath. Bilbao, a contar para a Liga dos Campeões, agendado para esta quarta-feira, às 20h00.
Já foi confrontado com dados históricos, como por exemplo o Sporting nunca ter vencido em Espanha. É uma motivação?
“É algo que me ultrapassa, também acho que nunca joguei com uma equipa espanhola. Passa-me ao lado. Estamos focados e há vontade de fazer algo que ficará marcado. Temos de ser iguais a nós próprios. Vamos defrontar uma grande equipa, com uma identidade muito própria. Sabemos das dificuldades mas vamos com ambição e tentar fazer o melhor. E no fim veremos qual é a consequência. Nada apaga o nosso trajeto fantástico.”
Regresso dos lesionados, como Nuno Santos. Que impacto teve no grupo?
“Tem um impacto grande. Já falei várias vezes do impacto que ele tem no grupo. É experiente e muito importante para o grupo, enquanto atleta, colega. Vai-me chatear muito a cabeça, mas faz parte. É a personalidade dele. Por tudo o que ganhou, é importantíssimo para o grupo. É notório o que representa à volta dele e o que aguentou nos últimos 15 meses. Um guerreiro autêntico, há poucos, muito poucos como ele. Sou um treinador feliz. Quando cheguei não pude contar com ele, agora posso. Acrescenta qualidade, tudo à equipa. Enquanto caráter, qualidade e exemplo, conta muito.”
O Sporting tem muito a ganhar e nada a perder. Vai ser um Sporting mandão ou mais à espera?
“Vai ser um Sporting igual a si próprio. Em alguns momentos pressionante, mas do outro lado há qualidade e também podemos ficar num bloco baixo. Não fugimos da nossa identidade e ideia de jogo. Mas dentro da ideia, vamos alterando comportamentos, sempre com a intenção de nos superiorizarmos. É uma grande equipa, das mais tituladas em Espanha. Tem individualidades muito boas que podem resolver.”
Ficará aborrecido se o Sporting não ficar no top-8?
“Quando não se ganha, ficamos sempre aborrecidos, mas muito orgulhoso por tudo o que temos demonstrado. O aborrecido tem a ver com a ambição de querermos ser melhores. Em termos de calendário era ótimo, no sentido de ter a equipa mais pronta e capaz, controlar cansaço. Era fantástico. Não jogaremos a pensar nisso, mas sim em ganhar e criar história.”
Tem dito que o Sporting é uma família. A família Sporting acredita que a equipa pode chegar longe, quem sabe à final?
“O sonho é ganhar amanhã. Olho sempre para o próximo jogo e os sonhos vão-se concretizando. O caminho amanhã é defrontar o Athletic, uma grande equipa num ambiente dificil. Ficar nos oito primeiros será extraordinário, se não ficarmos será extraordinário na mesma. Nunca baixámos o nosso nível individual e coletivo.”
Diomande pode ser titular? Edu e Debast…
“Quanto ao Ousmane, temos que andar à procura dos melhores índices, faz parte. O Edu também.Quero frisar o querer treinar e estar disponível. Deixou-me feliz. Nada preocupado com o problema que teve e super motivado. A vontade dele jogar é tanta, independentemente da adaptação à máscara. Com jogo ou sem jogo, ele vai adaptar-se. Estou feliz por vê-lo super motivado. O Debast achámos melhor ter uma gestão física. Não há mais ninguém, pois não? Eram tantos…”
Onde acha que houve a afirmação da sua equipa? Marselha? Nápoles?
“O primeiro jogo, com o Kairat em casa, em que ganhámos. A humildade de perceber quem defrontámos. Sabem a competição que disputamos, a qualidade que existe. A ambição deles, não só na Champions como em todas as provas, eles sabem que representam um grande clube e dignificam-no da melhor maneira. Têm sido extraordinários.”
Baixas no Athletic
“Não afetou nada, vão jogar com 11. É um grande clube, com grandes jogadores. É uma equipa que sai bem em transições, com bons timings de pressão, ativam bem a pressão. É a equipa na Liga espanhola que recupera mais bolas em meio campo ofensivo, na Champions é a segunda ou a terceira. Em contra-ataque tem jogadores que fazem a diferença. Claro que também tem lacunas e dentro da nossa ideia tentaremos superiorizar-nos.”
Como olha para o seu percurso?
“Era mais magro, tinha menos brancos… a evolução faz parte dos desafios diários, de tudo o que vai acontecendo. O Fernando, o meu adjunto, vinha-me a mostrar uma fotografias e vinha-me a rir. Há sete ou oito anos ninguém diria que estávamos a disputar uma Champions a esta altura. Cada clube em que passámos foi importante. O desafio foi sempre diferente e fez-nos crescer. Aprendemos com jogadores, com quem trabalha no clube. Tudo começou lá atrás quando tinha 26 anos e comecei a treinar a formação do Mirandela. Passei por todos os escalões.”
Valverde disse que o Sporting tem muitos argumentos. Qual será a chave para ganhar aqui?
“A chave é a nossa humildade, capacidade de perceber o que temos que fazer em cada momento do jogo. Não fugimos ao que somos. Em termos ofensivos, é natural que digam que temos sido muito fortes, mas defensivamente também, caso contrário não tínhamos os pontos que temos. Este equilíbrio é o que temos que ter amanhã. É uma excelente equipa, bem orientada. Mentalmente temos que saber perceber os momentos do jogo, perceber o ambiente, a vontade do Athletic em querer ganhar. Gostamos de ter bola e temos que estar preparados em momentos de perda.”
Como se define como treinador?
“Eu sinto-me uma pessoa simples e o Casio está lá sempre. 20 euros. 19,90€. Lembro-me do trajeto e do que me custou. Não é por estar aqui que vou ter um relógio de mil euros. Agora os estádios têm todos cronómetros, nem precisava de relógios. Sou simples e humilde Q.B. Sou muito honesto, direto com toda a gente, amigo do amigo e serei sempre grato a quem me ajuda. Serei sempre assim, o Rui de Mirandela.”
Veja o momento na íntegra no vídeo a seguir:









