Rui Borges fez a antevisão do confronto entre o Sporting e o Vitória de Guimarães.
Rui Borges, treinador do Sporting, fez a habitual conferência de imprensa que antecede o confronto frente ao Vitória de Guimarães, a contar para a meia-final da Taça da Liga, agendado para a próxima terça-feira, dia 6 de janeiro, no Estádio Dr. Magalhães Pessoa.
Mudar de competição é o que a equipa do Sporting precisa nesta altura? O que pode dar Luís Guilherme?
“Em relação ao Luís, é um jogador que identificámos. É um jogador de imediato, mas acima de tudo de futuro. Vemos muito potencial nele, pode dar-nos soluções em mais do que uma posição e acrescenta ao grupo em termos de qualidade técnica e personalidade, caráter. Acho que tem muito a ver com o nosso grupo e a nossa equipa”.
“À competição em si, eles estão focados. Percebem que pode ser a disputa de um título. Queremos muito ganhar, a equipa está sempre com a ambição de estar nas finais e disputar troféus. E queremos muito. Agora é focar onde estamos, e mais à frente voltaremos a focar no campeonato. É perceber que queremos competir e eles mostram isso, apesar do resultado do jogo de Barcelos. Querem competir, jogar e demonstrar o que são enquanto equipa e grupo”.
O que espera do jogo contra o Vitória de Guimarães? Como vai fazer a gestão de equipa tendo em conta as baixas?
“Vai ser um mês de janeiro e início de fevereiro bastante intenso. Muitos jogos. Não temos as soluções todas e esperemos que voltem o mais rápido possível. Mais do que dar-nos soluções, tira-nos alguma sobrecarga de muitos dos jogadores que temos. Acaba por haver sobrecarga que pode tornar-se perigosa. Entra se calhar num espaço que não controlamos tão bem, das lesões musculares. Entramos nessa linha vermelha por causa da sobrecarga de jogos e nos mesmos jogadores. É esperar que haja mais soluções, que volte a malta que está de fora. Será diferente do jogo do campeonato. É um jogo a eliminar e o Vitória vai querer disputar a final da Allianz Cup, ganhar um troféu, até pela massa associativa e grandeza do clube”.
“Será um jogo muito competitivo e diferente. Acredito que em alguns momentos mais calculado, porque ambas as equipas querem estar na final. É um Vitória que está a fazer um belíssimo campeonato e isso dita bem da 1.ª volta que estão a fazer apesar de todas as mudanças. Foi a única equipa que ganhou ao FC Porto internamente. Vai ser um jogo competitivo, diferente daquele do campeonato e que vai exigir muito de nós. E nós, dentro do que temos disponível, faremos um jogo bom e bastante competente, não fugindo ao que gostamos de ter qualidade de jogo e ser donos do jogo, tendo bola e produzindo muito”.
A lesão de Ricardo Mangas é grave? Faz algum comentário sobre o despedimento de Ruben Amorim?
“Já me perguntou isso em off e colocou nas redes sociais… Saiu nas plataformas. Vou começar a estar calado porque vocês são perigosos. Solidário em relação ao Ruben, como com qualquer outro treinador. Infelizmente o futebol é feito disto. Por mais que queira falar ou dar opinião, não vou fazê-lo. É um colega de profissão que estava em 5.º ou 6.º. É um grande treinador e terá grandes projetos e grandes clubes para continuar o seu trabalho. Mangas? Não sei dizer ao certo o tempo. Vou atirar um bocado para o ar, e se calhar o doutor vai matar-me, mas talvez três a quatro semanas. Não adianta pensar muito”.
Debast pode recuperar para o jogo? Caso na recupere, quem irá jogar ao lado de Eduardo Quaresma?
“Não, o Zeno não estava no treino. Está no processo final da recuperação e acredito que volte a treinar nos próximos dias. Dentro das opções, chegaremos sempre a uma solução. Há os miúdos da B que têm feito um belíssimo campeonato e estão preparados para dar resposta”.
Mais de 300 dias depois, Daniel Bragança voltou aos relvados. Como viu esse regresso?
“Fico muito feliz, penso que todo o grupo estava lá no momento em que ele entrou. E isso exemplifica bem este grupo, a amizade que existe. Feliz por vê-lo voltar bem, acredito que nos ajudará no futuro. Já está a treinar connosco há alguns dias, mas estar preparado para jogo… Tem a ver com o ganhar confiança e perder o receio que pode existir, que é natural. E estes minutos foram importantes para isso. Nos próximos tempos, com toda a certeza, estará disponível para a nossa exigência”.
Tem receio de sair prejudicado caso comente arbitragens? Virgínia vai regressar à titularidade na baliza do Sporting?
“Em relação ao Virgínia, é como respondo sempre. Pode jogar o Virgínia, o Rui ou outro guarda-redes. Não é um dado adquirido. Dentro da estratégia e da orientação de jogo, tomamos a decisão que acharmos melhor. Não vou falar de arbitragens. Por mais que, das outras partes, possam falar, tento abstrair-me ao máximo. Todos erram. Jogadores, treinadores, árbitros… Faz parte. Sou daqueles que acredita sempre na parte boa das coisas”.
“Espero, e volto a dizer, que o ruído não se faça sentir e que se valorize mais o futebol português, o nosso campeonato. Mais do que qualquer ruído que possa condicionar jogadores, treinadores ou árbitros. Não me vou alongar muito. Casos? Tenho notado algo diferente. Tenho visto que só a mim é que me perguntam no final dos jogos se vi os lances duvidosos. Mas dentro disso… É focar no que controlamos. No nosso jogo. Outras vezes melhor, outras não tão bem, mas que sejamos competentes para continuar o nosso trajeto”.
Existe orgulho ferido na derrota da Taça da Liga na temporada passada? Faz algum comentário sobre a situação de Luis Suárez?
“Em relação ao Luis, também li nos jornais a primeira vez. Pode ter sido algo a quente, não vou entrar muito nisso. Não houve qualquer tumulto com árbitros ou equipa adversária, zero. Orgulho ferido? Não, tem a ver com a ambição da equipa. No ano passado perdemos nos penáltis, é algo muito específico. Não fomos muito competentes nisso”.
“De resto, queremos é estar nas finais. Estivemos nelas na época passada e não conseguimos ganhar todas. O futebol é isso. É seguir, levantar e voltar a lutar. Amanhã queremos muito disputar o jogo contra uma boa equipa para estarmos na final e, depois sim, conseguirmos vencer a competição. Eles querem é ganhar e não se cansam disso. Querem acrescentar história, continuar na história do Sporting. E isso mete-os novamente nessa história”.
Consegue identificar onde é que Luís Guilherme pode ser mais útil. E onde é que Maxi Araújo pode ser mais útil neste jogo?
“O Maxi tem-nos dado duas soluções. Dadas as ausências, e dentro do que temos, ele tem conseguido dar resposta a lateral e a extremo. A mim, dentro do que será o jogo e dentro do que perspetivamos para o que será o Vitória, tanto poderá jogar numa posição ou outra. Uma coisa é certa: vai jogar. Agora se vai jogar a lateral, médio ou extremo, ainda vamos tomar a decisão”.
“O Luis Guilherme penso que poderá ou não ir a jogo. Não é um dado adquirido. No West Ham jogava mais à esquerda, no Palmeiras mais à direita, a sua formação foi a 10. Dá-nos várias soluções em algumas posições e é por isso que digo que vai de encontro à nossa equipa. O Trincão faz várias posições, Pote também, Fotis tem crescido nisso, o próprio Maxi… O Luis Guilherme entra nisso. Tem caraterísticas muito próprias, pode dar essas três soluções. Mas vai demorar a perceber as dinâmicas da equipa. Digo que é para agora, mas se calhar será mais para o futuro”.
Como vai fazer a gestão do calendário pesado do Sporting?
“Os que demoram mais a recuperar são lesões traumáticas que não controlamos. O máximo a que podemos olhar é às lesões musculares. E não temos tido muitas. O Pote teve agora uma que vai demorar um bocadinho mais, mas tirando isso… É um jogo de contacto, que às vezes cria estes problemas. Esta época temos a CAN também, que condicionou com dois jogadores importantes. Há coisas que não controlamos. O que não controlamos, controlamos e muito bem. O staff, a estrutura da performance, o departamento médico têm sido excecionais. O que controlamos, tentamos ao máximo ser melhores. Mas o que não controlamos… É seguir, acreditar nos que estão e continuar a trabalhar”.
“A gestão nesta fase é difícil haver muita. Além de não termos essas soluções todas, estamos na fase mais crítica da época. Muitos jogos, o acumular de alguma fadiga, e pode haver esse risco maior de lesão. Esta época acho que é diferente da passada. Aqui tem muito mais a ver com o trauma, com a CAN, do que propriamente com as lesões em si. É o que é, é o futebol. Temos de contrariar essas coisas menos positivas e temos feito isso muito bem. A equipa tem dado uma boa respostas e isso deixa-me feliz acima de tudo”.

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