Pedro Henriques considera que o penálti leonino no final do tempo regular foi mal assinalado e atribui nota negativa a João Pinheiro.
O Sporting bateu o Santa Clara por 3-2 na noite da passada quinta-feira, dia 18 de dezembro, em partida a contar para os oitavos de final da Taça de Portugal, cujo os principais lances de arbitragem já mereceram a análise de Pedro Henriques.
Enquanto especialista no assunto, o antigo árbitro considera que a exibição do juiz do encontro, João Pinheiro, deixou muito a desejar, com destaque claro a ir para o lance que acabou por marcar a história do encontro.
No caso do penálti assinalado ao Sporting aos 90+1′, Pedro Henriques começa por lamentar os 14 minutos de paragem para que o VAR e o árbitro levaram para tomar a sua decisão, considerado a demora como excessiva. Relativamente ao lance em si, o especialista reconhece existir contacto no pescoço e na cara de Morten Hjulmand, mas considera que este não teve intensidade suficiente para que seja assinalada falta.
Como aspetos positivos, Pedro Henriques considerou que João Pinheiro agiu de forma devida nos lances de cartões amarelo e expulsões por cartão vermelho.
Confira a análise de Pedro Henriques aos principais casos do jogo entre Santa Clara e Sporting:
8’ Sem penálti. Matheus Araújo estica a sua perna esquerda sem tocar ou rasteirar Maxi Araújo e, fruto do movimento, há um ligeiro e inconsequente toque com o braço direito no ombro esquerdo do uruguaio leonino. Não há infração para castigo máximo.
24’ Sem mão. Após o remate de Matheus Araújo, a bola foi intercetada pelo pé de Eduardo Quaresma, ressaltando daí de forma inesperada para a coxa de João Simões que estava próximo. Não houve toque de mão/braço, logo, sem motivo para penálti.
41′ Cartão amarelo bem mostrado a Luis Suárez por, de forma evidente, ostensiva e persistente, com a sua mão direita, agarrar e puxar a camisola de Serginho. Um comportamento antiesportivo que valeu a advertência para o avançado colombiano.
44′ Cartão amarelo bem mostrado a Gabriel Silva por uma entrada fora de tempo em que acaba por, com o seu pé direito, pisar o pé também direito de Gonçalo Inácio. Uma entrada negligente, pisão, bem sancionada disciplinarmente.
50’ Sem penálti. Eduardo Quaresma chega primeiro à bola e estica a sua perna direita e interceta a bola com o seu pé, ato continuo João Costa acaba por tropeçar, com o pé esquerdo, na perna do central leonino, que já estava no chão. Tudo legal.
74′ Luquinhas, primeiro com a mão esquerda e depois também com a direita, agarrou e puxou por trás a camisola de Fresneda. Uma ação persistente, ostensiva e antidesportiva que foi bem sancionada disciplinarmente com cartão amarelo.
88′ O árbitro, após a queda de Fresneda, foi rápido na mostragem de cartão vermelho a Paulo Victor, o que indiciou que teria havido uma conduta violenta. Ora a única repetição que deu do lance não deu para confirmar se houve ou não alguma agressão. Outra hipótese para a expulsão é se houve algumas palavras injuriosas ou ofensivas para o adversário ou para o árbitro. Fica a dúvida em relação a este cartão vermelho que só o relatório do arbitro pode vir a esclarecer. Neste lance, Fresneda também viu cartão amarelo.
90′ O lance que ocorre entre Tiago Duarte e Morten Hjulmand ocorreu vinte segundos após os 90′. O árbitro tinha dado seis minutos de descontos, que acabaram por não se jogar, pois passaram 14 minutos para que a decisão que foi tomada de penálti tivesse acontecido. Depois, o jogo recomeçou 15 minutos depois dos 90′, o que significa que deveria ter terminado aos 90+21′ e não aos 90+19′, como aconteceu. Outra nota é para o tempo que o VAR demorou para tomar a decisão de chamar o árbitro para ir ao monitor.
Mesmo que na análise estivessem duas situações – possível penálti e possível fora de jogo de posição no ataque leonino -, mesmo assim, 14 minutos é demais. O protocolo diz que tem de ser claro e óbvio. Ora uma demora destas é porque há mais dúvidas do que certezas. Nota final para a decisão do árbitro quando foi ao monitor. O contacto da mão esquerda no pescoço e cara de Hjulmand existe, mas é no salto, de perto, normal para o movimento, sem intensidade, consequência, ou seja, não há de todo motivo para infração. Um pontapé de penálti mal assinalado com responsabilidades divididas entre o VAR e o árbitro.
90+13’ Frederico Venâncio e Lucas Soares, fora do campo, no banco de suplentes, viram ambos cartão vermelho, muito provavelmente por palavras injuriosas, ofensivas e grosseiras. Independentemente da razão que possam ter, não o podem fazer.










