O Dakar 2026 terminou com um misto de satisfação e frustração para Sébastien Loeb.
O nove vezes campeão do mundo de ralis, que continua em busca do seu primeiro título na mítica prova de todo-o-terreno, terminou na quarta posição da geral, a escassos 37 segundos do pódio. Contudo, para o francês, a história desta edição não foi escrita pela mecânica dos carros, mas sim pela fragilidade dos pneus.
Em entrevista ao Motorsport.com e ao L’Equipe, Loeb foi categórico: o nível de fiabilidade dos carros atuais atingiu um patamar tão elevado que os pneus se tornaram o único fator de rutura imprevisível na corrida.
O calcanhar de Aquiles: 20% de potência e furos inesperados
A campanha de Sébastien Loeb no Dakar 2026 sofreu um revés quase fatal logo na Etapa 3. O piloto da Dacia viu-se obrigado a parar por falta de pneus suplentes, mesmo numa altura em que, segundo o próprio, conduzia com extrema cautela.
“O problema é que os carros de hoje são extremamente potentes e robustos. Podes conduzir muito rápido, mas o limite é o pneu. Na Etapa 3, estava a conduzir a 20% do potencial do carro e, mesmo assim, fiquei sem pneus”, desabafou o francês.
O problema técnico parece estar relacionado com a nova estrutura dos pneus BFGoodrich. Embora a marca tenha reforçado a banda de rodagem para evitar danos na superfície, a nova composição tornou as paredes laterais (os flancos) mais vulneráveis a cortes em terrenos rochosos.
Aprender com o mestre: O “segredo” de Al-Attiyah
Enquanto Loeb sofria com furos constantes, o seu companheiro de equipa e vencedor do Dakar 2026, Nasser Al-Attiyah, conseguiu navegar pelo deserto com muito menos incidentes. Uma diferença que não passou despercebida ao “E.T.” dos ralis.
- O Mistério: “Talvez devessemos perguntar ao Nasser como é que ele faz, porque ele fura muito menos”, admitiu Loeb com humildade.
- Fiabilidade Mecânica: Tirando um problema na direção assistida durante a etapa maratona, o carro da Dacia portou-se de forma exemplar. “Tudo o que costumava partir-se — braços de suspensão, ventoinhas, tirantes — não partiu. A equipa fez um trabalho incrível.”
Quarto lugar: “Não é um desastre”
Apesar de ter perdido o último degrau do pódio para o Ford de Mattias Ekström por uma margem mínima, Sébastien Loeb encara o resultado com pragmatismo. Após dez participações no Dakar, o francês sabe que a sorte é uma componente volátil na Arábia Saudita.
“Não temos arrependimentos, nós tentámos”, afirmou. “O pódio escapou por pouco, mas a vitória já estava fora de alcance há alguns dias, por isso terminar em terceiro ou quarto não é um desastre.”
O foco de Loeb vira-se agora para o futuro, com a certeza de que a evolução dos compostos de borracha será o tema central de desenvolvimento para a próxima edição da prova.










