Entre vitórias, tensão interna e decisões técnicas discutidas, Sérgio Pérez faz um balanço revelador e sem filtros, antes de iniciar um novo capítulo na F1.
Sergio Pérez decidiu falar sem rodeios sobre um dos períodos mais exigentes da sua carreira na F1. O piloto mexicano fez um balanço do tempo passado na Red Bull Racing, que também tem vivido tempos conturbados e deixou claro que, apesar dos resultados alcançados, o ambiente interno esteve longe de ser simples. “Tudo era um problema”, é a melhor forma que o piloto espanhol encontrou para detalhar uma análise e ajudar o público a compreender melhor a complexa dinâmica de uma equipa moldada em torno de Max Verstappen.
Contratado no início de 2021, para substituir Alex Albón, Sergio Pérez entrou numa das estruturas mais competitivas do paddock, num momento em que a Red Bull iniciava um ciclo de sucesso que viria a marcar os anos seguintes. Ao lado de Verstappen, venceu corridas, foi decisivo em momentos-chave, ajudou muitas vezes o seu companheiro de equipa nos seus objetivos e, em 2023, terminou o campeonato no segundo lugar, garantindo uma valiosa dobradinha para a equipa austríaca.

Resultados que não apagaram a pressão
Cotudo, e apesar dos números positivos, Sergio Pérez explica que o contexto interno era permanentemente exigente e, por vezes, até contraditório. O mexicano sublinha que o simples facto de ser competitivo ao nível do seu colega de equipa criava desconforto e não poupa nas palavras da estrutura: “Na Red Bull, tudo era um problema. Se eu fosse muito rápido, era um problema. Se fosse mais rápido do que o Max, era um problema. Se fosse mais lento, também era um problema”, afirmou.
Segundo Sergio Pérez, ser companheiro de Verstappen é “o melhor e o pior trabalho da F1”, uma combinação de prestígio, pressão mediática e exigência técnica extrema. Quando os resultados apareciam, a dificuldade do lugar parecia ser esquecida. Quando não apareciam, o escrutínio tornava-se imediato.
Um carro cada vez mais distante do seu estilo
Um dos pontos centrais da análise de Sergio Pérez prende-se precisamente com a evolução técnica dos monolugares da Red Bull. O piloto considera que, ao longo das temporadas, o desenvolvimento foi sendo cada vez mais orientado para o estilo de condução de Verstappen, algo que acabou por limitar a sua competitividade.
@SChecoPerez Lo diste todo en la pista eso es lo que importa. 2 por el precio de 1, esto no tiene precio. El mejor adelantamiento de ka carrera #NeverGiveUp pic.twitter.com/5IW8OTtWEi
— MARCO A. GUZMAN (@MarcoAG23) November 24, 2024
Aliás, não é por acaso, explica, que os seus melhores resultados surgiam frequentemente no início das épocas, quando o carro ainda apresentava uma base mais equilibrada e previsível. À medida o tempo avançava e que as atualizações eram introduzidas, a confiança diminuía e os desempenhos ressentiam-se. Em 2024, após um arranque promissor, essa tendência acentuou-se. A quebra de rendimento tornou-se consistente e acabaria por ditar a sua saída da equipa no final da temporada, encerrando um ciclo que parecia destinado a durar mais tempo.
“Podíamos ter dominado durante dez anos”
Apesar das críticas, Sergio Pérez não esconde a frustração pelo desfecho e não poupa nas palavras. Na sua perspetiva, a Red Bull tinha todas as condições para prolongar o domínio no desporto por muitos anos. “Tínhamos a melhor equipa. Infelizmente, tudo acabou por se desmoronar. Acho que tínhamos condições para dominar o desporto durante os próximos dez anos”, lamentou. Ainda assim, o mexicano garante que o período na Red Bull foi uma escola. Em vez de se focar nas limitações do contexto, procurou adaptar-se, aprender e extrair o máximo possível de cada situação, mesmo quando o cenário não lhe era favorável.
I can’t wait https://t.co/o1Kt6RXRnC
— Sergio Pérez (@SChecoPerez) December 3, 2025
Um novo começo em 2026
Depois da saída da Red Bull e depois de muita ponderação, Sergio Pérez prepara agora um regresso à F1, em 2026, ao serviço da Cadillac, num projeto que marca a entrada da marca norte-americana na categoria rainha. O mexicano fará dupla com Valtteri Bottas, numa combinação de experiência que promete dar solidez a uma equipa em fase de construção. Além de um novo desafio é mais uma oportunidade para Sergio Pérez. Mais do que um desabafo, as palavras duras de Sergio Pérez ajudam a perceber toda a pressão que cada piloto e equipas vivem na F1 moderna, onde nem sempre os bons resultados são suficientes.











