A aventura de Sidny Lopes Cabral no Benfica durou apenas seis meses, mas deixou marcas profundas no internacional cabo-verdiano. Agora ao serviço do Trabzonspor, o defesa fez um balanço da passagem pela Luz, recordando a emoção da chegada, a relação com José Mourinho, a polémica com Vinícius Júnior, a amizade com Gianluca Prestianni e o Mundial 2026 que o projetou para outro patamar.
“Comecei a chorar depois de assinar”
Representar o Benfica era um sonho que Sidny nunca escondeu. O defesa revelou que, quando soube do interesse das águias, pensou que tudo não passava de uma brincadeira. A confirmação da transferência acabou por se transformar num dos momentos mais marcantes da sua carreira e da sua vida pessoal. “Quando me disseram Benfica, fiquei: ‘O quê? Estás a mentir’. Não acreditei. Depois de assinar contrato com o Benfica, estava no carro com a minha namorada e ela disse: ‘Tens noção do que fizeste?’. Comecei a chorar.”
Além da emoção da assinatura, Sidny confessou que ficou surpreendido com a dimensão do clube e dos seus adeptos. O internacional destacou ainda Schjelderup pela qualidade técnica e Otamendi pela liderança, considerando o capitão argentino um exemplo dentro e fora do balneário.
Mourinho deixou marca
Apesar de ter perdido espaço na reta final da temporada, Sidny garante que nunca deixou de trabalhar e aponta José Mourinho como uma das figuras mais importantes da sua evolução. O defesa elogiou a frontalidade do treinador, recordando uma conversa que ficou gravada na memória antes de um dos jogos pelo Benfica. “Ele é direto, engraçado e foi sempre honesto comigo. Foi ele que me trouxe para o Benfica. Perguntou-me: ‘Estás pronto para matar ou estás apenas pronto para jogar?’. Respondi que estava pronto para matar e acabei por ser o homem do jogo.”
O cabo-verdiano recordou igualmente as declarações de Mourinho sobre a possibilidade de jogar a lateral esquerdo. Embora tenha admitido que ficou triste por ouvir que ainda lhe “faltava qualquer coisa”, garante que transformou essas palavras em motivação. “Fez de mim um jogador muito melhor e agradeço a honestidade dele”, afirmou.
O antigo jogador do Benfica voltou ainda a abordar a polémica gerada pelo pedido de camisola a Vinícius Júnior, assegurando que nunca existiram problemas dentro do balneário. “Tudo o que saiu nas notícias era falso. A minha relação com os meus colegas de equipa foi sempre boa”, garantiu, lembrando o apoio recebido durante esse período.
Prestianni e o Mundial
Sidny revelou que mantém uma excelente relação com Gianluca Prestianni e assumiu que gostaria de voltar a partilhar balneário com o argentino. “Tomara que ele venha. É um excelente jogador e acho que vai ajudar muito a nossa equipa”, afirmou, comentando o interesse do Trabzonspor no antigo companheiro de equipa.
Sidny terminou ainda a entrevista a recordar o Mundial 2026, onde marcou um dos golos mais marcantes da competição frente à Argentina. O antigo jogador do Benfica confessou que continua sem acreditar na forma como tudo aconteceu, recordando o momento em que decidiu rematar. “Quando driblei para dentro e vi algum espaço, só pensei: ‘Vou rematar’. Apontei para o ângulo superior e bati na bola na perfeição. Quando vi a bola entrar, pensei: ‘O que é que eu acabei de fazer?’.”
O internacional cabo-verdiano assumiu ainda a ambição de ver esse remate distinguido como o melhor do Mundial 2026. “Espero que sim. Espero que ninguém marque um golo melhor do que o meu”, afirmou. Sidny revelou também que recebeu palavras de incentivo de Otamendi após a eliminação de Cabo Verde e uma mensagem de Marcelo, um dos seus maiores ídolos, que lhe confessou ter votado no seu remate para melhor golo da competição.










