O ciclista britânico Simon Yates, vencedor do Giro d’Italia de 2025, compareceu em Roma para a apresentação da edição de 2026 com a serenidade de quem sabe ter escrito uma página de ouro na história da prova.
Em entrevista ao jornal Marca, Simon Yates refletiu sobre a sua conquista, a eterna rivalidade no pelotão e as condições extremas que tornam a corrida italiana única.
O britânico considerou a vitória de 2025 o triunfo mais importante da sua trajetória: “Sim, creio que sim. Não consigo imaginar algo melhor a partir de agora.” Para Yates, a conquista foi a grande “desforra” que procurava há vários anos.
A Desforra Contra o “Final Cruel” de 2018
A vitória de Simon Yates na edição de 2025 teve um sabor especial por ter apagado o doloroso desfecho de 2018, ano em que dominou a prova, mas acabou por sofrer uma quebra dramática nas últimas jornadas.
“Em 2018 fiz uma atuação magnífica, mas o desfecho foi cruel por aquela quebra na jornada final. Depois disso, regressei várias vezes com a ideia fixa de ajustar contas com a história, embora as coisas nunca tivessem encaixado. Ainda assim, sempre guardei a inquietação de voltar a tentar. Este ano, por fim, consegui-o.”
O ciclista confessou que as sensações sentidas ao terminar o Giro foram impressionantes, manifestando o desejo de “voltar a experimentá-las algum dia”.
O Clima Extremo é “Parte do Desafio”
O vencedor do Giro abordou a proposta lançada por Tadej Pogačar para inverter as datas do Giro e da La Vuelta, de modo a evitar condições climatéricas adversas (pode saber mais aqui). Embora compreenda a lógica de Pogačar, Simon Yates defende a singularidade da prova:
“Entendo o que diz [Pogačar] e faz sentido em muitos aspetos, mas isso também é parte do que faz o Giro único. As condições climatéricas podem ser extremas e fazem parte do desafio de ganhar esta corrida.”
Simon Yates comentou ainda a dureza do percurso de 2026, mostrando-se aliviado por o lendário Colle delle Finestre estar de fora, mas alertando para o Blockhaus e a etapa de Aosta, que é “brutal” e “encaixa na perfeição com as minhas condições”.
Rivalidade no Pelotão e Olhar para Portugal
Questionado sobre se o seu bloco (que venceu dois dos três Grand Tours no ano passado) é o mais forte do pelotão, superando a UAE de Pogačar, Simon Yates foi cauteloso:
“É difícil garantir isso. Se olharmos para os pódios, as duas equipas estão sempre lá em cima. Jonas [Vingegaard] foi segundo no Tour. Quantificar quem é mais forte não é assim tão simples.”









