O campeão do mundo de Superbikes não esconde a frustração e admite estar a perder a motivação após os testes de pré-época em Sepang.
O piloto turco, que “empurrou” Miguel Oliveira para fora do MotoGP, confessa estar “irritado” com a falta de velocidade.
Um golpe na motivação do campeão
A transição de Toprak Razgatlioglu para o MotoGP está a revelar-se muito mais penosa do que o esperado. O piloto que “herdou” a vaga que era de Miguel Oliveira, ao ser a grande aposta da Yamaha para a equipa da Pramac, terminou os testes na Malásia num modesto 18.º lugar, a quase dois segundos do topo da tabela. Já o piloto português começou com bons resultados no WorldSBK.
Habituado a vencer e a dominar nas motos de produção, Toprak vive agora um choque de realidade. “A minha motivação está a descer porque estou a pilotar como antes, mas o tempo por volta não aparece. É difícil ver o teu nome tão em baixo no ecrã”, admitiu o turco, visivelmente afetado pelo fosso competitivo para os líderes da categoria rainha.
A “traição” dos pneus Michelin e do estilo de condução
O maior obstáculo neste pesadelo tecnológico tem nome próprio: Michelin. Toprak, que construiu a sua carreira sobre os pneus Pirelli (mais previsíveis na derrapagem), está a ter dificuldades extremas em entender a sensibilidade dos pneus de MotoGP.
- Condução contranatura: A equipa técnica exige que ele pilote de forma “suave”, semelhante ao estilo de Moto2, algo que colide frontalmente com o ADN agressivo do turco.
- Problemas em curva: “Nas travagens sou forte, consigo parar a moto. Mas nas curvas longas ainda não percebo nada. A moto não curva como a dos outros”, explicou, comparando a sua performance com a de Alex Márquez.
A sombra de Miguel Oliveira
A chegada de Razgatlioglu ao MotoGP foi o movimento que selou o destino de Miguel Oliveira, que agora corre pela BMW. O piloto português, que conta com cinco vitórias na classe rainha, acabou por ter de fazer o caminho inverso, encontrando lugar no Mundial de Superbikes (WSBK) após a Yamaha ter optado pelo talento vindo da Turquia.
Agora, com o início do campeonato marcado para 1 de março, a pressão sobre Toprak aumenta. Se o substituto de Miguel Oliveira não conseguir adaptar-se rapidamente nos últimos testes na Tailândia, a aposta da Yamaha poderá tornar-se um dos maiores erros estratégicos da temporada, especialmente considerando o historial de sucesso que o piloto português deixou no MotoGP.










