O Tour é a maior corrida de ciclismo do mundo, e gera quantias estratosféricas de dinheiro, mas pouco sobre para os protagonistas – que até têm de lidar com condições deploráveis no alojamento arranjado pela organização.
Tour de France, máquina de fazer dinheiro
131 milhões de euros: este foi o lucro da A.S.O., organizador do Tour de France, em 2024, de uma faturação total de 374,9 milhões. Estes são os números da empresa que, para além do Tour, também organiza a Vuelta e o Paris-Dakar.
Mas não é qualquer um que entra na festa: uma marca que queira patrocionar a corrida paga 200 mil e 500 mil euros para entrar na equação. São estes valores que fizeram as receitas do grupo crescer 80% nos últimso 10 anos, segundo o jornal L’Essentiel de l’Éco.
Como estão, então, divididos os milhões das receitas do Tour de France? Ora, entre 50 e 55% vêm dos direitos televisivos. Os patrocínios pagam entre 30 a 40%, e o restante chega das cidades e regiões que desembolsam vários milhares para receber a corrida.
Em França, uma cidade gasta cerca de 100 mil euros para acolher a partida, e 140 mil para a chegada. Uma cidade que organiza ambas paga qualquer coisa como 250 mil euros.
Mas o jackpot chega quando o Tour sai de França. Em 2023, Bilbau pagou 12,2 milhões para acolher a Grand Départ, e este ano, Barcelona gastou algo entre 7 e 9 milhões.
O crescimento do Tour de France não se mede só em euros. Também em termos de audiência a prova tem sido um autêntico sucesso, o que aumenta as receitas: em 2025, mais de um milhão de pessoas juntaram-se em Lille para a partida da corrida. Essa etapa reuniu ainda mais 3,3 milhões de telespetadores, com um pico de 4,9 milhões. Ao longo das três semanas, o momento mais alto deu-se na chegada a Paris, com 8,7 milhões de telespetadores em França.
Na Europa, são quase 150 milhões que acompanham o evento, numa soma de mais de 700 milhões de horas de transmissão em direto. Nas redes sociais o fenómeno é o mesmo: a hashtag #TourdeFrance atingiu 1,5 mil milhões de visualizações o ano passado.
Vale destacar, como nota final, que desta gigante bolo, uma ínfima parte sobra para os ciclistas: o vencedor do Tour de France recebe “apenas” 500 mil euros, um valor significativamente mais baixo quando comparado com os principais eventos de outras modalidades (o vencedor de Wimbledon leva mais de 4 milhões para casa, por exemplo). O segundo lugar leva 200 mil euros e o terceiro 100 mil.






