O jovem britânico, que vivia em Portugal há vários anos, desapareceu durante uma travessia em stand up paddle ao largo da Arrifana. A morte está a provocar uma onda de consternação entre familiares, amigos e a comunidade desportiva.
Uma travessia que prometia ser mais um desafio acabou por terminar em tragédia. Arran Strong, de 28 anos perdeu a vida depois de desaparecer no mar durante uma etapa em stand up paddle ao largo da Praia da Arrifana, em Aljezur.
O jovem, que residia em Portugal há vários anos, participava numa travessia entre o Monte Clérigo e a Carrapateira, acompanhado por José Maria Pyrrait, conhecido como “Pyrras”, mentor e amigo de longa data.
Desaparecimento aconteceu durante uma pausa
Foi o próprio José Maria Pyrrait quem revelou os detalhes dos momentos que antecederam o desaparecimento de Arran Strong, através de uma emotiva publicação nas redes sociais.
Segundo explicou, ambos tinham parado ao largo da Arrifana para beber água e tirar algumas fotografias antes de retomarem o percurso.
Pouco depois, ao deixar o jovem seguir na frente, apercebeu-se de que apenas a prancha permanecia à deriva.
Perante o cenário, dirigiu-se rapidamente ao local e mergulhou repetidas vezes na tentativa de o encontrar, sem sucesso.
Os meios de socorro foram imediatamente acionados, mas as buscas acabaram por não evitar o pior desfecho.
“Era como um filho para mim”
A morte do jovem deixou profundamente abalado José Maria Pyrrait, que lhe dedicou uma emocionante homenagem.
“Hoje foi um dia de perda irreparável e de tristeza profunda.”
O mentor revelou ainda que acompanhava o atleta desde os 10 anos de idade e que a relação entre ambos ultrapassava largamente o desporto.
“O Arran era como um filho para mim. O meu amor por ele era como mais um filho que a vida me deu.”
Na despedida, deixou palavras carregadas de emoção.
“Fica o ténue consolo de que partiu no mar, lugar que tanto amava. Descansa em paz, meu ‘filho’.”
José Maria Pyrrait recordou ainda uma frase que o jovem lhe dizia frequentemente.
“Curiosamente, sempre me disse que morreria novo.”
Uma vida marcada pela superação
Para além da paixão pelo mar, o atleta era conhecido pela forma como enfrentou vários desafios de saúde ao longo da vida.
Diagnosticado ainda bebé com uma doença genética rara que afeta os pulmões e o fígado, nunca desistiu dos seus sonhos.
Em 2018 sofreu também um ataque epilético que interrompeu temporariamente a sua atividade desportiva, obrigando-o a um longo processo de recuperação.
Apesar das dificuldades, regressou sempre ao mar, tornando-se uma inspiração para muitos e utilizando a sua história para sensibilizar para as doenças raras.
Homenagens multiplicam-se
Desde que a notícia foi conhecida, são inúmeras as mensagens de pesar partilhadas nas redes sociais.
Amigos, atletas e várias figuras ligadas ao mar têm recordado o jovem pela sua determinação, generosidade e paixão pela vida, numa despedida marcada pela emoção e pelo reconhecimento de quem com ele privou.











