Treinador verde e branco esteve à conversa com os jornalistas, em conferência de imprensa de antevisão ao encontro em atraso da 26ª jornada da Liga Portugal.
Rui Borges: “O desgaste mental piora o físico”
Depois do dececionante empate em Vila das Aves, que terminou com igualdade a uma bola, e com o adeus ao sonho do tricampeonato, o Sporting volta a jogar, já na próxima quarta-feira, frente ao Tondela. O treinador verde e branco já lançou a partida: recorde, aqui, tudo o que disse em conferência de imprensa.
Como está o Sporting emocionalmente?
“Essa é a parte mais importante. Ligar toda a gente para aquilo que é o jogo, frente a uma equipa que precisa de pontos. Com o novo treinador tem sido bastante mais audaz, que pressiona mais e se expõe mais, o que também é de relevar essa audácia. Por isso cada um com os seus objetivos, também precisamos dos pontos. Tondela vai dar a vida pelos pontos, mas nós também vamos porque precisamos. Penso que a malta está preparada para tentar levar este jogo de vencido”.
Porque rodou frente ao AVS?
“Eu gosto de falar sobre tudo o que é o jogo. Hoje o adepto diz para meter o Manel, eu meto o Manel e o adepto diz que que devia ter posto o António. O adepto é o adepto, em casa, com uma cervejinha e uma sandes mista, está tudo bem… O que posso dizer é que era impossível outras opções. Houve jogadores que não estavam capazes de dar o seu contributo por mais de 60 ou 70 minutos. As opções tinham de ser essas. Mas não foi por isso que ganhámos o jogo, não ganhámos porque não fizemos golos. A equipa está muito desgastada e já não conseguia dar mais, mas ainda assim podíamos ter ganho o jogo, porque fizemos mais do que suficiente para isso”.
Desgaste mental e físico da equipa:
“O desgaste mental piora o físico. Claro que quando podíamos ter feito ainda mais história mexeu um pouco connosco. Depois o jogo com o Benfica em que marcámos é anulado e sofremos logo a seguir. Por muito que digamos que não tudo isso mexe connosco. Depois o jogo com o FC Porto logo a seguir… Foi uma sequência de quatro jogos sem intevalo no meio. Foi uma sequência com uma exigência e um desgaste tremendo”.
Renovação está certa? Qual é o melhor timing?
“Não sei, porque não ligo nada a isso. Estou feliz, estou num grande clube. Infelizmente, nestas últimas semanas tiraram-nos da luta pelo tricampeonato. É explícito isso… O FC Porto esteve lá em cima o tempo todo e está a uma vitória. Mas andámos sempre na luta e sinto muita confiança. Jamais deixarei cair sobre os jogadores a culpas do que quer que seja e eles merecem todo o meu apoio”.
Os muitos lesionados: reconhece que não é normal? Condicionou-o?
“Normal, não é, lógico. Mas há coisas que não controlamos. Se houvesse muitas lesões musculares, aí tínhamos de repensar o que andamos a fazer. Mas há coisas que não podemos controlar e é normal que se pague a fatura de tantas lesões, por não conseguir os jogadores. Houve alguns momentos, com Taça da Liga e Taça em que foi possível, mas em momentos decisivos não foi possível. Ficámos sem o Fotis, o Pote também ficou de fora. Normal, não é, mas não conseguimos gerir lesões traumáticas. [Também houve musculares] Sim, mas isso há em todas e se calhar até menos do que em outros clubes. Quanto às traumáticas tivemos muitas e condicionou-nos muito. Não vou estar aqui armado em maluquinho e a dizer que sou o maior e que não aconteceu. Mas o que posso dizer é que os rapazes deram tudo”.
Mercado de inverno falhou?
“Sobre o manto verde não vou falar. Sobre a outra parte, eu não podia adivinhar que ia haver tantas lesões em 29 jogadores. Fomos buscar o Luís Guilherme e lesionou-se logo. O Faye demorou um pouco a adaptar-se. Entretanto voltou o Quenda também… Só se quiserem que tenhamos um plantel de 50 jogadores e se calhar vai ser preciso porque há cada vez mais lesões e a sobrecarga a que os jogadores estão sujeitos é surreal. Compete-nos esperar que não tenhamos mais lesões que não conseguimos controlar, sendo que as únicas que conseguimos são as musculares”.
Situação de Nuno Santos e boletim clínico
“Em dúvidas está o Vagiannidis, o Bragança e o Diomande. O Nuno Santos voltou a trabalhar na equipa no último treino antes do AVS e optamos por não o colocar. Está convocado para amanhã”.
Reforços de invernos:
“Já tínhamos o plantel equilibrado em todas as posições. Sabíamos que podíamos perder o Alisson, perdemos um e acrescentámos dois, mas mais numa perspetiva de futuro. O Matheus Reis teve direito a escolher o seu futuro. Depois tivemos azar com tantas lesões traumáticas. Eles sabem que estão num clube exigente e falo muito com eles, mas eles sabem que há o risco das lesões. A equipa precisa deles. Até vou dar o exemplo do Dani: no Dragão, ele nem sequer devia ter entrado. Mas é de enaltecer porque disse queria estar com a equipa. A mim ganhou-me em 5 segundos por aquilo que era o sentimento perante a equipa. Agora sabe que se volta a lesionar não joga mais esta época. Tem de haver honestidade e saber dizer quando dá ou não. O melhor médico são eles próprios. Eles devem dizer se podem estar com a equipa e espero esse respeito da parte deles”.
Que mensagem passa à equipa?
“Otimista e de muita confiança. Sou sempre muito otimista. Eles sabem bem aquilo que representam. A responsabilidade que é representar o Sporting, mas eles sabem que não vão ganhar. Dentro disso temos de mostrar a vontade de continuar a ganhar. Embora seja normal que bate tudo o que aconteceu. Mas não é por aquilo que aconteceu que deixam de ser um grande grupo. Eu quero ganhar sempre, mas nem sempre é possível. Agora resta dar tudo e esperar para ver o que dá no fim”.
Restantes lesionados:
“Fresneda, Ioannidis, Inácio e Hjulmand continuam de fora”











