A proposta da FIFA para permitir a entrada de investidores privados nos Campeonatos do Mundo está a provocar forte contestação na Europa. A UEFA vai reunir-se de urgência para definir uma resposta conjunta.
O futebol europeu prepara-se para enfrentar uma das maiores polémicas dos últimos anos. A UEFA e várias federações europeias vão reunir-se de urgência esta quarta-feira para analisar o plano da FIFA, que pretende abrir os direitos comerciais dos Campeonatos do Mundo ao investimento privado.
A confirmação foi feita pela ministra dos Desportos de França, Marina Ferrari, que revelou que os responsáveis europeus consideram essencial definir uma posição comum perante uma proposta que poderá alterar profundamente o modelo de gestão do futebol mundial.
“Perante um projeto que pode transformar profundamente o equilíbrio do nosso desporto, é indispensável que os atores europeus falhem a uma só voz”, escreveu Marina Ferrari nas redes sociais.
FIFA quer captar mais de quatro mil milhões de dólares
O organismo liderado por Gianni Infantino anunciou a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária que ficará responsável pela exploração dos direitos comerciais da organização.
Através desta estrutura, a FIFA pretende vender participações minoritárias a investidores privados, procurando angariar até 4,2 mil milhões de dólares, numa operação que avalia a nova empresa em cerca de 20 mil milhões de dólares.
Segundo a FIFA, os investidores não terão qualquer poder sobre a governação da modalidade, mantendo o organismo o controlo total sobre competições, regulamentos, calendário internacional e decisões desportivas.
Objetivo passa por aumentar o investimento no futebol
A FIFA garante que este novo modelo permitirá reforçar significativamente os apoios às federações nacionais.
O plano prevê que o financiamento atribuído através do programa FIFA Forward aumente dos atuais oito milhões de dólares para 20 milhões de dólares por federação entre 2027 e 2030.
Esse valor deverá crescer para 22 milhões no ciclo seguinte e atingir os 24 milhões de dólares entre 2035 e 2038.
Além disso, será criado o programa FIFA Fast-Forward, que disponibilizará até 20 milhões de dólares adicionais para projetos de infraestruturas, como estádios e centros de treino.
UEFA reage com críticas duras
A proposta foi recebida com forte oposição por parte da UEFA.
Num comunicado divulgado após a revelação do projeto, a confederação europeia considera que a FIFA ultrapassou uma linha que nunca deveria ser cruzada.
“A alma e a governação do futebol não são ativos para negociar, especialmente sem qualquer transparência sobre quem beneficia financeiramente.”
A UEFA foi ainda mais longe ao defender que a FIFA não pode tratar o futebol como um ativo comercial.
“Nenhum de nós é proprietário do futebol. Não pertence à FIFA para o vender.”
Reunião poderá definir estratégia europeia
A reunião de emergência marcada para esta quarta-feira deverá servir para coordenar uma resposta conjunta das principais entidades do futebol europeu.
O tema promete dominar a agenda dos próximos meses e poderá abrir um novo conflito institucional entre UEFA e FIFA, numa altura em que o organismo internacional defende que a entrada de investimento privado permitirá aumentar os recursos destinados ao desenvolvimento da modalidade em todo o mundo.
Apesar das garantias dadas pela FIFA de que manterá o controlo absoluto sobre as decisões desportivas, a resistência europeia continua forte e poderá dificultar a concretização do projeto.









