O ciclista belga da Team Visma-Lease a Bike, que encerrou 2025 com a vitória no Giro e no Tour, confessa que a marca no joelho é uma recordação diária. Apesar da dor e da pressão, o foco está totalmente ajustado para as Clássicas de empedrado, que o belga considera a sua obsessão para 2026.
Wout van Aert está totalmente focado nos objetivos de 2026, com o olhar fixo em duas das Clássicas que lhe têm escapado: o Tour de Flandres e a Paris-Roubaix. O ciclista belga chega a este novo ciclo competitivo impulsionado por uma resiliência forjada nas lesões da época anterior.
Em entrevista à publicação The Athletic, durante a sua digressão promocional nos Estados Unidos, Van Aert revelou que a cicatriz que ostenta no joelho, resultado dos acidentes de 2025, é um lembrete constante dos seus sacrifícios:
“Cada vez que olho para baixo, lembra-me por tudo o que passei“, confessou o atleta do Team Visma. “A cicatriz é feia. Não a levo com orgulho.”
O Grito Silencioso de Paris
A história recente de Van Aert é marcada por quedas duras, incluindo um embate interno na A Través de Flandres e um desaire físico e moral na Collada Llomena durante a Volta a Espanha (La Vuelta).
No entanto, o final da época de 2025 trouxe o reencontro com a vitória no Giro e uma cavalgada inesquecível nos Campos Elíseos. O punho cerrado no ar em Paris não foi apenas uma celebração de vitória; foi um comunicado.
“Queria que vissem que continuo aqui”, explicou Van Aert, numa mensagem de que o seu joelho, apesar da cicatriz, “ainda funciona”.
O regresso à forma exigiu sacrifício, incluindo umas férias sacrificadas e um regresso antecipado em Siena, onde derrotou o emergente Del Toro.
Flandres e Roubaix: A Obsessão para 2026
É com esta mentalidade de Fénix que Van Aert encara 2026, que ele vê não apenas como um calendário, mas sim como um ajuste de contas com o empedrado. Flandres e Roubaix são os objetivos que dominam o seu horizonte.
“Seriam tudo para mim”, admite o belga, garantindo que nem o peso das expectativas do país, nem o receio de uma nova queda o vão desviar da sua obsessão por vencer as Clássicas.
A sua determinação é ainda mais apurada pela presença de rivais de peso. Van Aert reconheceu o empenho de Pogačar no final da época, que tornou a sua vitória em Paris ainda mais grandiosa. Caso o esloveno decida aparecer em Oudenaarde ou no Inferno do Norte, o duelo pela vitória promete elevar-se a uma nova dimensão.
Van Aert olha para 2026 com ambição, respeito e a certeza de que a sua persistência, lembrada pela cicatriz, tem de terminar o capítulo nas vitórias sobre os paralelepípedos.






