Mathieu van der Poel parece atrair episódios insólitos onde quer que compita.
Depois de ter sido atingido por fumo de um cigarro eletrónico (vape) lançado por um espectador no Troféu X20 de Hofstade, o campeão do mundo optou por desvalorizar o incidente com uma dose generosa de ironia, embora o momento volte a colocar em foco a segurança e o respeito pelos atletas na terra.
“Não sei se foi intencional. Talvez aquele homem não me tenha visto chegar. Em todo o caso, não percebi qual era o sabor do seu vape”, declarou o neerlandês ao HLN. Van der Poel foi ainda mais longe na ironia, recordando a prova anterior: “No domingo, em Koksijde, havia um cheiro muito claro a marijuana numa secção… Não me incomodou muito e, sem dúvida, é melhor do que me atirarem cerveja à cara”.
Um historial de agressões
Este episódio é apenas o mais recente numa lista preocupante de incidentes envolvendo o ciclista da Alpecin-Deceuninck:
- Paris-Roubaix: Um adepto atirou-lhe um bidão cheio ao rosto, um ato que Van der Poel classificou como “tentativa de homicídio”. Pode ver aqui o video do ataque.
- E3 Saxo Classic: Foi cuspido por um espectador, que acabou multado.
- Roubaix (ano anterior): Uma mulher atirou um boné contra as suas rodas, tendo sido posteriormente obrigada a colaborar na restauração de troços de pavé para evitar tribunal.
O adeus à terra no horizonte?
Mais do que os sustos com os adeptos, o que está a agitar o mundo do ciclismo é a possibilidade de Van der Poel abandonar o ciclocrosse. O neerlandês admitiu que, caso consiga conquistar o seu oitavo título mundial — superando o recorde histórico de Eric De Vlaeminck —, poderá deixar as provas de inverno para se focar exclusivamente na estrada.
O seu pai, o lendário Adrie van der Poel, apoia a decisão mas acredita que o filho seguirá apenas o seu instinto: “O seu maior rival, Tadej Pogačar, não corre ciclocrosse e também atinge um nível altíssimo. O Mathieu não tem a mentalidade de quem quer fazer história a todo o custo; ele apenas faz o que gosta”, explicou ao Wielerflits.
Se 2026 será o ano da despedida de Van der Poel da terra que o consagrou, apenas o seu “instinto” e a conquista do oitavo arco-íris o dirão.










