Após a derrota do Benfica por 2-0 frente à Juventus, que coloca as águias numa situação “praticamente impossível” na Champions, José Mourinho fez uma análise à prestação da sua equipa.
Apesar de orgulhoso da qualidade de jogo apresentada, o técnico sublinhou que a falta de instinto matador nos últimos 20 metros é o grande entrave deste plantel.
O problema dos alas e das “segundas linhas”
Para Mourinho, o Benfica dominou e construiu com “beleza” desde Trubin, mas falhou redondamente na hora de finalizar. O treinador apontou baterias à falta de golo dos jogadores de ataque, com exceção do ponta de lança.
“Basta ver os números de golos dos nossos alas e não chegam aos dois dígitos. Não temos jogadores que chegam aos dois dígitos e creio que é isso que falta. As nossas segundas linhas não são jogadores de fazer golos. E hoje nem de penálti conseguimos.”
Mourinho explicou que, taticamente, a equipa sabe encontrar soluções para sair a jogar, mas falta “partir a baliza do adversário”. Citou o exemplo recente contra o Rio Ave, onde o domínio não se traduziu num resultado volumoso.
O “olfato” de 1250 jogos e o banco limitado
O técnico revelou que, durante a partida, sentiu que o golo sofrido era inevitável perante as oportunidades desperdiçadas pelas águias. “Eu estava no banco com o meu olfato de quem tem 1250 jogos e dizia aos meus colegas: se não marcarmos, estamos a pôr-nos a jeito para sofrer”, confessou.
Mourinho justificou também a dificuldade em mudar o rumo do jogo com as limitações do plantel:
- Lesões de peso: Bah, Lukebakio e Ríos (fora as opções limitadas de Enzo e Bruma).
- Banco jovem: Destacou a presença de muitos jovens da formação (Neto, Banjaqui, Gonçalo Oliveira) que ainda não estão prontos para este habitat.
O “caso” Rafa Silva: «Ele é jogador do Benfica?»
Questionado sobre se o regresso de Rafa Silva (que já está em Lisboa) poderia resolver a falta de golos, Mourinho protagonizou um momento curioso. Virou-se para o assessor de imprensa e perguntou: “Ele é jogador do Benfica?”. Perante a negativa, o técnico foi implacável:
“A partir do momento em que ele diz que não é jogador do Benfica, tenho de continuar a dizer que é jogador do Besiktas e não vou comentar nada sobre o Rafa.”
Champions: Real Madrid e o “praticamente impossível”
Sobre o futuro na Europa, Mourinho admitiu que o apuramento é uma miragem, mas prometeu dignidade na última jornada. “Mesmo que seja praticamente impossível, o praticamente não é impossível. Temos de jogar com a responsabilidade de ser Benfica. Sabemos que é o Real Madrid, mas vamos com tudo”.
A equipa vira agora o foco para o campeonato, com o jogo frente ao Estrela da Amadora no horizonte imediato.








