Pedro Henriques analisou a prestação do árbitro do encontro entre águias e guerreiros do Minho, João Pinheiro.
O Braga bateu o Benfica por 3-1 na noite da passada quarta-feira, dia 7 de janeiro, em partida a contar para a meia fina da Taça da Liga, cujo os principais lances já foram analisados por Pedro Henriques.
No papel de especialista na matéria, o antigo árbitro e agora comentador considerou a exibição do juiz do encontro como altamente negativa, salientando o facto de que, na sua opinião, Pinheiro acabou por perdoar dois cartões vermelhos e uma grande penalidade por assinalar.
As expulsões em questão seriam ambas para o lado do Benfica. No primeiro caso, Pedro Henriques considera que Nicolás Otamendi deveria ter visto a cartolina vermelha aos 9 minutos por rasteirar Zalazar à entrada da área e impedido assim uma jogada de grande perigo de forma ilegal.
Já o segundo vermelho por mostrar seria para Gianluca Prestianni aos 69 minutos. O argentino cometeu uma falta grosseira e negligente em Ricardo Horta, com uma entrada a dois pés, vendo apenas o amarelo. O especialista considera que o VAR deveria ter revertido o cartão para que se prosseguisse à mostragem do vermelho.
No caso da grande penalidade por assinalar, Pedro Henriques considera que aos 55 minutos, Vítor Carvalho comete grande penalidade favorável ao Benfica por braço na bola. Apesar do lance ter ocorrido à queima roupa, o jogador do Braga aumenta a volumetria do seu corpo.
Confira a análise de Pedro Henriques aos principais casos do jogo entre Benfica e Braga:
6′: Num lance fora da área, Nicolás Otamendi estica a perna direita e com o pé toca e derruba pé esquerdo de Florian Grillitsch, livre direto por assinalar, mas sem cartão pois não corta jogada de perigo, está a correr para fora, sentido contrário da baliza e está rodeado de adversários.
9′: Fora da área. VAR reverte de forma correta o penálti em livre direto pois a infração foi fora da área. Otamendi com o pé esquerdo tocou e rasteirou o pé direito de Zalazar. Por ser uma situação factual «dentro ou fora» e de acordo com o protocolo não tem de ir ver ao monitor. Uma vez que a infração foi fora da área, não se aplica a «lei da dupla penalização» e a Zalazar, ao ser rasteirado, foi-lhe anulada uma clara oportunidade de golo, pois ficava claramente isolado na cara do guarda redes encarnado. VAR deveria também ajudar na disciplina.
31′: O guardião bracarense, Lukas Hornicek, foi advertido, por retardar o recomeço de jogo, na ocasião num pontapé de baliza, embora cedo no jogo, este tipo de cartões amarelos tem de ser mostrados sempre que houver perda de tempo excessivo.
45′: Sem penálti. Mario Dorgeles entra na área encarnada e em sucessivas fintas não sendo nunca rasteirado por nenhum adversário, sendo que ele próprio se desequilibrou e acabou por ir contra Richard Ríos, não sofreu falta e acabou ele próprio por fazer falta atacante.
48′: O árbitro assinala livre direto e mostra cartão amarelo a Vítor Carvalho pela falta sobre Leandro Barreiro e por corte de ataque prometedor, mas o assistente deveria ter invalidado a jogada, pois o médio luxemburguês estava em posição irregular de fora de jogo. De realçar que neste caso o protocolo VAR não pode intervir.
55′: Braço. É um lance difícil de analisar e é certo que o desvio da bola feito por Leandro Barreiro é de perto e à queima, mas Vítor Carvalho tem o braço esquerdo em volumetria e fora do plano do corpo, bola vai ao cotovelo, depois perna e depois braço. Penálti por assinalar.
62′: Penálti. Bem o árbitro ao assinalar castigo máximo, na ocasião Paulo Oliveira com a sua perna direita dobrada acaba por acertar com o gémeo no joelho esquerdo de Pavlidis e também na sua coxa, nunca tocando ou jogando a bola e derrubando o avançado grego.
69′: Falta grosseira. VAR tinha que reverter o cartão amarelo. Prestianni faz um salto a dois pés, de longe, deliberado, com velocidade, sem tocar na bola e a atingir com a sola da bota o pé de Ricardo Horta. Uma falta grosseira com uso excessivo de força que pôs em risco a integridade física.
71′: Gustaf Lagerbielke tem uma entrada fora de tempo e por trás sobre Samuel Dahl. Árbitro deu lei da vantagem e só posteriormente advertiu o jogador bracarense por esta entrada claramente negligente.
78′: Fran Navarro vê de forma correta o cartão amarelo por uma entrada negligente, na ocasião tem uma entrada já fora de tempo e com o seu pé direito pisa o pé direito de Tomás Araújo.
87′: Um lance típico onde a bola é que vai à mão de um jogador. Na ocasião a bola apôs bater no solo, ressalta e vem de baixo para cima bater na mão esquerda de Gustaf Lagerbielke, que tem o braço ao longo e junto ao corpo, sem qualquer volumetria extra e mais importante sem fazer qualquer movimento deliberado no sentido de tocar no esférico, boa decisão da equipa de arbitragem em nada assinalar nomeadamente pontapé de penálti como foi pedido.
89′: Segundo amarelo. Nicolás Otamendi acaba por ser expulso por acumulação de cartões amarelos, que aparentemente foram por protestos (palavras e gestos). De destacar que o central encarnado sofreu uma falta neste lance que o árbitro não assinalou. Fica de fora no próximo jogo.
90′: Foram dados seis minutos de tempo extra, recuperação de tempo perdido, em função das seguintes incidências ocorridas no segundo tempo; mostragem de quatro amarelos e um vermelho, dois golos, um de penálti que teve ainda a confirmação do VAR, e ainda as quatro paragens para substituições onde entraram seis jogadores.









