Presidente dos dragões traça diferenças na relação com os rivais, fala da ligação a Sérgio Conceição e esclarece os planos para o ataque portista
André Villas-Boas voltou a abordar a relação institucional do FC Porto com os seus principais rivais e não escondeu que o clima com o Sporting atravessa um momento de grande tensão. Numa extensa entrevista ao jornal O Jogo, o presidente dos dragões distinguiu a forma como lida com os leões da relação que mantém com o Benfica, admitindo até que já fez uma reflexão sobre algumas das suas próprias atitudes perante Rui Costa.
“Houve mais exageros da minha parte, enquanto presidente do FC Porto, no sentido de Rui Costa, do que o contrário. Até já fiz recentemente um ‘mea culpa’. Tento retratar-me sempre que posso e faço-o novamente aqui”, assumiu Villas-Boas, sublinhando que a rivalidade com o Benfica deve ser preservada dentro de um quadro de respeito. “Tudo o que é mágico e que envolve o FC Porto e o Benfica é algo que devemos dignificar nessa rivalidade histórica”, acrescentou.
Já em relação ao Sporting, o dirigente portista foi bastante mais duro, considerando que a atual liderança leonina tem adotado uma postura incompatível com uma relação institucional saudável. “Ora, isso não se passa com o Sporting, simplesmente porque a sua liderança, neste momento, entra por um patamar de injúria, calúnia e vitimização com o FC Porto que nós não podemos tolerar”, afirmou, defendendo que as acusações dirigidas ao clube azul e branco impedem qualquer aproximação.
Villas-Boas apontou ainda o caso relacionado com o alegado cheiro a amoníaco no pavilhão, durante o Clássico de andebol, como o momento mais grave deste conflito. “O Sporting ultrapassou todos os limites do razoável. O FC Porto já deu todos os documentos bem sustentados ao Ministério Público, e o mais provável é acontecer um arquivamento desse caso inventado pelo Sporting. E, a partir daí, o FC Porto irá com tudo contra o Sporting”, declarou.
O presidente dos dragões abordou também a relação com Sérgio Conceição, recordando o peso que o antigo treinador teve na história recente do clube e lamentando o afastamento entre ambos. Villas-Boas revelou que não queria que o técnico passasse pela mesma situação que ele próprio viveu quando deixou o comando da equipa, garantindo que continua a reconhecer a importância de Conceição no universo portista.
“Eu disse ao próprio que não queria que lhe acontecesse o que aconteceu comigo, que foi um distanciamento da instituição para com o treinador André Villas-Boas”, revelou, deixando ainda uma porta aberta a uma reaproximação: “Gostava muito de receber o Sérgio Conceição no centro do relvado”.
Sobre o futuro da equipa orientada por Francesco Farioli, o presidente confirmou que o FC Porto está atento ao mercado para reforçar o setor ofensivo, tendo em conta que Samu Aghehowa só deverá regressar em pleno entre o início e meados de novembro. Atualmente, o treinador italiano conta apenas com André Silva e Deniz Gul como opções para a posição de ponta de lança.
Quanto aos rumores em torno de Robert Lewandowski, Villas-Boas afastou qualquer possibilidade de o avançado polaco vestir de azul e branco, classificando esse cenário como um desejo dos adeptos. “É sempre bom sonhar com grandes chegadas. O que não podemos é ter delírios que impeçam a sustentabilidade financeira do clube”, finalizou.










