Ciclista mexicano venceu uma das mais importantes provas de uma semana, na preparação para a volta a França.
Del Toro brilha no Dauphiné
O ciclista mexicano Isaac del Toro (UAE Emirates) conquistou, no último domingo, o Tour Auvergne-Rhône-Alpes de 2026, ao vencer a oitava e última etapa da corrida francesa de forma pletórica, mas também facilitada pelo abandono do francês Paul Seixas (Decathlon).
Del Toro, de 22 anos, atacou a distantes nove quilómetros da meta, uma contagem de montanha de categoria especial situada em Plateau de Solaison, e foi-se distanciado dos perseguidores a cada nova pedalada, concluindo em 3:35.07 horas os 120,1 quilómetros da exigentíssima tirada rainha, com partida em Beaufort.
O espanhol Juan Ayuso (Lidl-Trek) foi o segundo a cortar a meta, a um minuto exato do vencedor, o que lhe permitiu também subir ao terceiro lugar da classificação geral, enquanto o australiano Luke Tuckwell (Red Bull-BORA-hansgrohe) cometeu uma pequena proeza ao terminar no segundo lugar do pódio, depois de ter sido o oitavo a alcançar o topo da montanha alpina.
Tuckwell partiu de Beaufort com a camisola amarela, mas os 49 segundos de vantagem sobre Del Toro – terceiro da geral individual à entrada para o último dia – não foram suficientes para evitar o primeiro triunfo de um ciclista mexicano no Tour Auvergne-Rhône-Alpes, com 54 segundos de vantagem sobre o australiano e 1.17 minutos sobre Ayuso.
O norueguês Tobias Johannessen (Uno-X) foi o terceiro a corta a meta, a 1.02 minutos de Del Toro, que demonstrou dotes excecionais na alta montanha (hoje passou por duas de primeira categoria e outras tantas de categoria especial) pelo segundo dia seguido, depois de no sábado se ter imposto de forma igualmente impressionante no topo do Grand Colombier.
“Estou superfeliz por vencer a etapa rainha. (…) Tínhamos tudo planeado. Sei que depois do que se passou ontem [sábado] todos começaram a observar-me. Pablo Torres lançou-me e eu simplesmente arranquei. Se soubesse que faltavam oito ou nove quilómetros, provavelmente, não o teria feito, mas segui em frente e estou muito feliz por ter conseguido”, explicou Del Toro.
Paul Seixas poderia ter sido o rival que o mexicano não teve, mas já não estava presente. O jovem francês, de 19 anos, sofreu uma queda no sábado durante a sétima etapa, que o obrigou uma espantosa recuperação ao longo de 60 quilómetros, e, apesar de se ter apresentado na partida, cedeu definitivamente no início da subida para Bisanne, a primeira de categoria especial.
Del Toro sucede na lista de vencedores do antigo Critérium du Dauphiné ao colega de equipa Tadej Pogacar e reforçou o estatuto que já tinha começado a construir com o triunfo no Tirreno-Adriático de 2026 e o segundo lugar na Volta a Itália do ano passado, ainda que isso não lhe deva evitar um lugar subalterno relativamente ao esloveno no próximo Tour, entre 04 e 26 de julho.
“Significa muito vencer depois de Tadej [Pogacar]. Tenho muito respeito por ele e eu só quero ser tão feliz quanto ele quando me sento na bicicleta e tentar aproveitar”, resumiu o mexicano.
O português João Almeida (UAE Emirates), que regressou à competição após ter estado afastado devido a doença, teve uma passagem discreta pela 78.ª edição da corrida francesa e já não partiu para a etapa de sábado, depois de ter terminado no dia anterior no 126.º lugar da classificação geral.
Pogacar a ver
Quem deve ter prestado especial atenção à prestação do mexicano foi o colega, e líder da equipa, Tadej Pogacar. O esloveno entra em ação esta segunda-feira, na Volta à Suíça, no último teste antes do grande objetivo do ano.
E é nesse principal objetivo que vai tentar juntar-se ao grupo dos homens que venceram o Tour por cinco vezes na carreira, o máximo alcançado na história do desporto.
Para isso, o esloveno conta com um trunfo importante: Isaac Del Toro. O jovem mexicano vai surgir como principal gregário de Pogacar na Grande Boucle, e as indicações são excelentes, uma vez que, só esta época, venceu o UAE Tour, o Tirreno-Adriatico e o Critério du Dauphiné: tornou-se no primeiro a vencer estas duas últimas provas na mesma época.
Sendo assim, apesar de uma temporada complicada para a UAE Emirates – XRG em termos de lesões e doenças, o esloveno já sabe que vai ter ao seu lado, a trabalhar para si, um ciclista que este ano já venceu grande parte dos rivais do esloveno no Tour.








