A poucas horas do início do Rally de Monte Carlo, as atenções do mundo do desporto motorizado estão centradas num homem: Sébastien Ogier. Aos 42 anos, o francês entra na temporada de 2026 como o campeão em título e com a possibilidade real de se isolar na história como o único piloto a conquistar dez campeonatos mundiais, superando a lenda Sébastien Loeb.
Apesar do burburinho constante sobre o recorde, Ogier mantém os pés no chão, embora admita que o desejo de vencer continua intacto.
O “Milagre” de 2025 e o Plano para 2026
A temporada de 2025 de Ogier foi, nas suas próprias palavras, uma das melhores da sua carreira. Mesmo falhando três ralis por opção pessoal, o piloto da Toyota conquistou o nono título com seis vitórias e dez pódios em onze provas disputadas.
Para 2026, a estratégia de “part-time” mantém-se, mas com um ajuste:
- Calendário: Ogier planeia disputar 10 das 14 provas (uma menos que em 2025).
- Foco: Qualidade sobre quantidade, priorizando os ralis onde se sente mais forte, como o Monte Carlo, onde procura a 11.ª vitória.
“Toda a gente me questiona sobre o 10.º título, ‘blá, blá, blá’, mas a verdade é que sei que não será fácil repetir o desempenho do ano passado. Só posso tentar. Tenho a mesma equipa fantástica ao meu redor e a motivação em mim para ir à luta”, afirmou Ogier ao Motorsport.com.
Toyota GR Yaris: Evoluir para não recuar
Mesmo sendo o carro dominador, a Toyota não parou durante o inverno. No último ano deste ciclo de homologação, o GR Yaris Rally1 recebeu atualizações significativas:
- Suspensão: Melhorias para maior estabilidade em terrenos mistos.
- Aerodinâmica: Uma nova asa traseira para otimizar o downforce.
Para Ogier, esta evolução é a “chave para o sucesso”: “Neste desporto, se não dás um passo em frente, estás a dar um passo atrás. Por isso, nunca há tempo para relaxar.”
Os Adversários: Um Campo de Batalha Diferente
Apesar das ausências de peso de Kalle Rovanperä, focado em monolugares, e de Ott Tänak, em ano sabático, Ogier antevê um caminho repleto de dificuldades. Dentro da própria Toyota, o francês terá de medir forças com o vice-campeão Elfyn Evans, que procura vingar a derrota tangencial de 2025, e com o jovem Oliver Solberg, que chega motivado pelo título de WRC2. Fora da equipa nipónica, a maior ameaça surge de Thierry Neuville, que lidera uma Hyundai renovada e determinada a aproveitar as melhorias introduzidas no i20 N.
A luta começa já amanhã nas estradas de Monte Carlo, onde Ogier se sente em casa. Se o francês conseguir manter a forma “estratosférica” da última época, a conversa sobre o décimo título deixará de ser apenas uma hipótese para se tornar uma inevitabilidade histórica.










