O fim de semana do WSBK 2026, no mítico Circuito de Assen deixou algumas marcas na estrutura da BMW — não tanto até pelos resultados, mas mais pelo que saiu cá para fora depois do fim de semana ter terminado, por várias figuras ligadas à estrutura da equipa. A verdade é que depois de Portimão, onde tudo dava a entender que a BMW tinha descoberto o caminho para uma temporada onde ia dar luta a uma Ducati que este ano se está a revelar mais “que pronta”, a passagem pela “Catedral da Velocidade” acabou por trazer à tona algumas eventuais fragilidades.

Declarações pós WSBK 2026 Países Baixos, levantam questões
Foram vários os protagonistas e foram várias as declarações. No entanto, as palavras de Sven Blusch, o responsável máximo do projeto, não escondem o desconforto: um fim de semana de WSBK 2026 “desafiante”, condicionado por “vários fatores”. Se, por um lado, e para quem viu a performance da equipa durante o fim de semana, são declarações que se entendem, por outro lado, a ausência de detalhes com estas declarações, levantam, logo à partida, a eterna questão dos desportos, na generalidade — quando o discurso é vago, normalmente há mais por explicar. Ainda assim, fica evidente que as expectativas eram altas e eram bem mais positivas, principalmente depois do progresso demonstrado anteriormente.
Potencial existe… mas execução continua a falhar
A contrariar um discurso mais vago, vieram as declarações de Christian Gonschor, que ocupa o lugar de diretor técnico, que admitiu que tanto Miguel Oliveira como Danilo Petrucci tinham ritmo para lutar pelo top 5 — e até pelo pódio. No entanto, a análise não se ficou por aí: “faltou execução e um pouco de sorte”. Não há dúvidas, quando a velocidade está lá, mas os resultados não aparecem, normalmente significa que o “mal” nunca é só um. Pelo meio, fala-se de consistência, de afinação fina e de capacidade para maximizar cada momento de um fim de semana competitivo. E no WSBK 2026, todos os detalhes interessam.

Miguel Oliveira aponta problema-chave
Até Miguel Oliveira foi muito direto. O piloto português destacou a importância da qualificação em qualquer prova de WSBK 2026, assumindo que sair mais de trás condiciona toda a estratégia de corrida. O que não deixa de ser lógico, até porque num pelotão que está tão próximo, a todos os níveis, começar “tão” longe dos da frente, significa perder tempo, ritmo e oportunidades, as quais, por norma, tendem a surgir logo nas primeiras voltas.
Ainda assim, o desempenho de Miguel Oliveira na terceira ronda de WSBK 2026, em Assen, voltou a mostrar sinais positivos. A verdade é que mesmo condicionado, Miguel Oliveira conseguiu recuperar posições, demonstrar competitividade em diferentes fases da corrida, reforçando a ideia de que o potencial até está lá — mas ainda por conseguir colocá-lo totalmente em pista.
Um projeto com margem, mas também pressão
Que a BMW tem argumentos para lutar com os melhores, parece já não haver dúvidas, contudo, para todos os efeitos, continua a falhar na consistência. Das imensas variáveis possíveis, há algumas que estão claramente a precisar de ser alinhadas, e que são: qualificação, ritmo e estratégia. Num campeonato como o WSBK 2026, não conseguir reunir estes pontos, é algo que se pode pagar caro. As diferenças são mínimas e os erros acumulam-se rapidamente na classificação.

O que vem a seguir pode ser decisivo
A grande questão agora é perceber se este momento representa apenas uma fase natural de crescimento, de uma equipa que, relembramos, detém o título do atual campeão, ou se é uma fratura mais profunda do atual projeto. A resposta a isto, estará mesmo nas performances futuras das próximas rondas, que poderão confirmar as dúvidas se a BMW tem nas mãos, de facto, um problema a resolver, ou se, por outro lado, confirma apenas o tropeção na ronda em Assen do WSBK 2026, conseguindo lutar de forma mais eficaz e aproximando-se, com isso, da Ducati e dos lugares de topo, tal como aconteceu na ronda de WSBK 2026 em Portimão.
The Championship’ standings at the end of Round 3 📊
— WorldSBK (@WorldSBK) April 19, 2026
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Do lado das certezas, também há algumas. Há velocidade, a mota de Miguel Oliveira chegou a ser a mais rápida em pista nos treinos, ainda que a margem fosse residual para a segunda mais rápida, e há talento dentro da equipa, com muitos a dizerem que Miguel Oliveira está uns furos acima do seu colega Danilo Petrucci, que, na ronda em Assen conseguiu em quase todas as corridas ficar à frente do piloto português. No fim, a ronda de WSBK 2026, em Assen mostrou que faltam resultados mais consistentes.











